
A união civil entre homossexuais foi aprovada em 2004 na Grã-Bretanha
A Câmara dos Lordes (a câmara alta do Parlamento britânico) aprovou, nesta quarta-feira, uma emenda em um projeto de lei que suspende a proibição da realização de cerimônias de união civil entre homossexuais em igrejas.
A emenda na chamada Equality Bill, que está sendo discutida pelos parlamentares britânicos, permitiria, mas não obrigaria organizações religiosas a realizarem esse tipo de cerimônia.
A emenda, que não foi apoiada pelo governo, ainda precisa da aprovação da Câmara dos Comuns (a câmara baixa), onde é pouco provável que o texto sofra alterações significativas.
A aprovação foi comemorada por ativistas dos direitos dos homossexuais.
Existem muitos casais de gays e lésbicas que querem celebrar suas uniões civis com as congregações que eles participam e são devotos, disse o lorde Alli, que propôs a medida.
Segundo ele, se trata de uma questão de liberdade religiosa.
A liberdade religiosa requer que deixamos os outros fazerem coisas que nós não faríamos. Essa liberdade não pode começar ou terminar com o desejo de apenas uma religião, afirmou.
Críticas
Apesar do apoio, alguns membros da Câmara se manifestaram contra a emenda e decidiram não votar sobre a medida.
Segundo o bispo de Bradford, o reverendo David James, que votou contra a proposta, a medida tem conseqüências despropositais.
Quando consideramos mudanças na lei, precisamos ser claros sobre o que queremos atingir com elas e o que, na prática, elas atingem, afirmou.
Segundo ele, a dificuldade fundamental que muitas igrejas e doutrinas enfrentarão, caso a medida seja aprovada, é que nós, como o governo e os tribunais, fomos claros desde quando as uniões civis foram introduzidas, que elas não representavam o mesmo que o casamento.
As uniões civis entre casais do mesmo sexo foram aprovadas na Grã-Bretanha em 2004. A lei entrou em vigor no ano seguinte.
Apesar das discussões entre membros da Câmara dos Lordes, o diretor executivo da ONG Stonewall, que defende os direitos dos homossexuais, Bem Summerskill, comemorou a aprovação inicial da medida.
Estamos absolutamente satisfeitos com esse voto pela liberdade de religião, disse.


