
Os protestos contra a morte de Zapata se concentraram nos países ricos
O dissidente cubano Orlando Zapata foi enterrado na manhã de quinta-feira por parentes e amigos no vilarejo de Banes, a cerca de mil quilômetros da capital de Cuba, Havana.
No resto do país, 99% dos habitantes sequer se deram conta de que um dos principais opositores do governo comunista da ilha caribenha morreu após 85 dias de greve de fome.
O motivo é simples: os meios de comunicação oficiais ignoraram o acontecimento totalmente. Mesmo assim, aos poucos, pela internet e pelas antenas parabólicas clandestinas, a informação da morte de Zapata vai chegando ao povo cubano.
O desconhecimento é tamanho que até uma vizinha da família em Banes não sabia o nome do dissidente.
"Você se refere a um dos defensores de direitos humanos que morreu?", perguntou ao repórter da BBC, por telefone.

A morte de Zapata chamou a atenção para a dissidência cubana
"Não sei quem é."
Protestos no exterior
Os protestos pela morte de Orlando Zapata Tamayo se resumem ao mundo desenvolvido, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, organizados por defensores de direitos humanos como a Anistia Internacional.
Na América Latina, são poucas as manifestações. Mesmo o presidente de Luiz Inácio Lula da Silva, em visita a Cuba, apenas lamentou o fato.
A BBC confirmou que o governo montou um esquema policial desde o dia anterior ao enterro de Zapata e que "todos os revolucionários" foram advertidos.
"Meu marido foi procurado por um policial da segurança do Estado para alertá-lo sobre a situação que poderia acontecer", afirmou uma moradora de Banes.
O policial teria acrescentado para tranquilizá-lo que de qualquer maneira "cada dissidente do povoado é controlado permanentemente".
Blitz policial
A mulher confirmou à BBC que a situação no povoado é calma, mas que desde quarta-feira a polícia vem pedindo os documentos a todos os motoristas que entram em Banes.
"O corpo foi velado na casa da sua mãe, que também é uma ativista de direitos humanos. E acho que o enterro foi no cemitério de La Güira, nos arredores do povoado", afirmou a moradora.

Elizardo Sánchez denunciou operação contra dissidentes
O presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, Elizardo Sanchez, afirmou à BBC acreditar que o velório e o enterro aconteceram sem incidentes, devido à detenção de cerca de 50 ativistas que "tentaram chegar ao local para render-lhe homenagem".
A única referência oficial ao falecimento do dissidente foi feita pelo presidente cubano, Raúl Castro, que a jornalistas cubanos e brasileiros lamentar a morte de Zapata, que atribuiu ao confronto entre Cuba e Estados Unidos.
Na imprensa oficial, as menções a Zapata foram eliminadas e o encontro com Lula, e os acordos assinados, ganhou todo destaque.
