
O novo bloco foi aprovado pelos 25 líderes presentes na Cúpula
Os presidentes dos países da América Latina e do Caribe aprovaram, nesta terça-feira em Cancún, no México, a criação de um novo bloco que represente todas as nações da região sem a participação do Canadá e dos Estados Unidos.
O organismo se chamaria, temporariamente, Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos e iniciaria suas atividades a partir de julho de 2011 – data da próxima Cúpula da América Latina e do Caribe em Caracas, na Venezuela.
Finalmente há um consenso sobre isso, também houve discussões intensas, disse o presidente do México, Felipe Calderón.
Segundo ele, o novo bloco deve impulsionar a integração regional e promover a agenda regional em encontros globais.
Até agora, os líderes ainda não incluíram Honduras no novo grupo regional.
O bloco seria uma alternativa à Organização dos Estados Americanos (OEA) – o principal fórum das relações regionais nos últimos 50 anos.
A OEA tem sofrido críticas de seus próprios membros após uma série de embates políticos e comerciais entre países da região e os Estados Unidos.
Princípios
O novo organismo foi aprovado pelos 25 chefes de Estado e de governo que participaram da Cúpula no México.
Segundo o comunicado divulgado pelos líderes, o bloco terá entre seus princípios promover o respeito ao direito internacional, a igualdade dos Estados, evitar o uso de ameaça de força e trabalhar a favor do meio ambiente na região.
Além disso, o organismo deve promover a integração política da região assim como o diálogo com outros blocos.
As regras de operação definitivas deverão ser adotadas no evento de Caracas, no próximo ano, ou na Cúpula que ocorrerá no Chile, em 2012.
Apoio
O presidente de Cuba, Raúl Castro, elogiou o anúncio sobre a aprovação do novo bloco, que incluiria o país, diferentemente da OEA.
Cuba foi suspensa da Organização dos Estados Americanos em 1962 por causa do sistema político socialista da ilha. Em 2009, a OEA decidiu aceitar novamente os cubanos no bloco, mas Cuba rejeitou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da criação do novo bloco para a integração da região
"É importante a gente lembrar que hoje não é um fato histórico menor, é um fato histórico de uma grande dimensão na medida em que estamos conquistando hoje nossa personalidade enquanto região, estamos firmando a personalidade quando decidimos criar uma comunidade da América Latina e do Caribe", disse Lula em Cancún.
"Todos nós estamos aos poucos descobrindo que a única saída que nós temos é trabalhar fortemente a nossa integração. E trabalhar a nossa integração significa nós nos confrontarmos com as instituições multilaterais existentes hoje e que não funcionam adequadamente", afirmou o presidente.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já havia expressado seu apoio à proposta, afirmando que seria uma ação para distanciar a região da colonização americana.
Um representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que não acredita que o novo bloco substituirá a OEA.
Os termos do novo organismo e a eventual substituição do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e do Caribe pelo novo bloco ainda não foram esclarecidos.
Segundo o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, é muito importante que não tentemos substituir a OEA.
A OEA é uma organização permanente e tem suas próprias funções, disse.


