Saúde

Séries médicas distorcem procedimentos de primeiros socorros, diz estudo

Hospital (arquivo)

Segundo pesquisa, séries médicas podem estar desinformando público

Um estudo conduzido por cientistas canadenses indica que séries de televisão baseadas em hospitais, como as populares Plantão Médico, House e Gray’s Anatomy, retratam procedimentos de primeiros socorros equivocados na maior parte dos casos.

A conclusão, que levanta uma preocupação sobre o tipo de mensagem que esses programas passam para o telespectador, foi resultado de horas e horas gastas pelos pesquisadores da Universidade Dalhousie, em Halifax, assistindo a centenas de episódios.

Em 59 ocasiões, os personagens tiveram de lidar com convulsões de epilepsia – e em apenas 17 delas, ou menos de 30%, a reação foi correta.

"Não examinamos exatamente como a televisão exerce seu impacto sobre o público. Mas nosso medo é que as pessoas assistam a esses programas, vejam os enfermeiros e médicos respondendo a convulsões dessa forma e reajam de modo semelhante se algum dia estiverem diante da mesma situação", disse um dos coordenadores do estudo, Andrew Molar.

"Se eles responderem da maneira como eles sempre veem na televisão, pode ser um evento dramático."

As diretrizes médicas mais atualizadas recomendam que, diante de uma crise convulsiva de outra pessoa, o socorrista procure primordialmente evitar contusões e pancadas: por exemplo, afastando os objetos de perto do paciente e colocando um travesseiro sob a sua cabeça.

Outra recomendação é virá-lo de lado para que a secreção da boca não entre nas vias respiratórias e cause engasgamento.

"E uma das coisas mais importantes", diz Andrew Molar, "é ficar ao lado da pessoa até ela retornar ao nível de consciência original."

Contraste

Molar diz que as orientações contrastam com o que se vê comumente na televisão, em cenas nas quais os próprios personagens médicos e enfermeiros tentam colocar objetos na boca dos pacientes e conter os movimentos convulsivos.

"É contra as diretrizes de primeiros socorros para ataques epiléticos tentar segurar o paciente, porque há muita força nos músculos naquele momento e você pode causar cortes e lacerações."

Ele diz que talvez a razão por trás dessa mensagem errada seja o apelo e o drama envolvidos nas cenas de ataque epilético tal e qual elas são retratadas na maioria das vezes.

"O procedimento correto não é dramático. Assistindo a esses programas de televisão, quando há um ataque epilético, a pessoa cai no chão, uma música dramática começa a tocar", diz o pesquisador.

"Se elas simplesmente girarem a pessoa para o lado e colocarem um travesseiro sob a cabeça dela, não é tão apelativo."

Para Andrew Molar, os interessados em se informar sobre como reagir a convulsões devem se informar em sites médicos e de organizações médicas, como o da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE) ou, para os leitores do inglês, da organização The Epilepsy Foundation of America.

"Se há uma mensagem que vem do nosso estudo é: não siga as diretrizes de primeiros socorros segundo o que você vê na televisão", diz Molar. "Em grande parte das vezes, elas são retratadas de maneira equivocada."

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