
DEM discute nesta terça se Arruda deve ou não ser expulso
Enquanto novos detalhes de um suposto esquema de corrupção envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, são revelados, os principais partidos de oposição se mobilizam para evitar que o escândalo saia da esfera regional, contaminando a imagem dos partidos em âmbito nacional.
O Democratas (DEM), partido de Arruda, discute nesta terça-feira se o governador deve ou não ser expulso da agremiação.
O PSDB, que forma com o DEM o principal bloco de oposição ao governo Lula, também decide nesta terça-feira se o presidente da legenda no DF, Márcio Machado, deverá entregar o cargo de secretário de Obras do governo Arruda.
A discussão entre os representantes do PSDB ficou mais complicada com os indícios de que Machado também teria se beneficiado do esquema. O fato foi revelado nesta terça-feira, pelo jornal Folha de S. Paulo.
O primeiro partido a abandonar o governo Arruda foi o PPS. Ainda na segunda-feira, o partido anunciou que tanto o secretário de Saúde, Augusto Carvalho, como o de Justiça, Alírio Neto, entregariam os cargos.
Em um dos diálogos anexados ao inquérito, Carvalho também é mencionado como beneficiário do suposto esquema de corrupção.
‘Melhor saída’
O cientista político Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília, diz que a expulsão dos políticos envolvidos é a melhor saída para os partidos. É a única forma de evitar uma disseminação maior da crise, diz.
Segundo ele, o afastamento de envolvidos serve não apenas como uma "punição" diante da opinião pública, mas também ajuda a poupar os partidos de uma "contaminação" pelos escândalos.
O maior risco, de acordo com Caldas, é de que um escândalo que começou em uma administração regional ganhe espaço e acabe tendo reflexos, inclusive, nas articulações para as eleições do próximo ano.
Para ele, o episódio é grave do ponto de vista da imagem dos partidos. A exibição de vídeos sempre tem um forte impacto e (os vídeos) podem ser sempre usados pelos opositores, durante a campanha, diz.
Além disso, Brasília é uma cidade de forte exposição nacional. O que acontece aqui tende a repercutir mais, acrescenta.
‘Prematuro’
Já o cientista político da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Marco Aurélio Nogueira diz que os partidos de oposição já estão sofrendo um forte impacto, mas que ainda é prematuro projetar o impacto do escândalo em esfera nacional.
Os partidos já estão se movimentando para estancar a crise. A situação tende a se balançar um pouco, mas há tempo para uma recomposição mais à frente, diz.
Segundo ele, um cenário provável é o DEM perder seu principal nome para uma composição de chapa presidencial com o PSDB, mas não necessariamente a aliança será rompida.
O governador Arruda chegou a ser cotado para assumir o posto de vice-presidente na candidatura do PSDB à Presidência.
Nogueira diz, no entanto, que o inquérito ainda está revelando novos detalhes e que ainda não se pode garantir que o pior já passou. É preciso aguardar para sabermos o grau de envolvimento dos personagens, diz.

