Rússia

Neto de Stalin processa jornal por difamar seu avô

Joseph Stalin

Documentos liberados pela KGB têm assinatura de Stalin autorizando execuções

O neto do ex-líder soviético Joseph Stalin abriu um processo nos tribunais russos contra um jornal liberal que ele acusa de difamar seu avô.

Yevgeny Dzhugashvilli disse que um artigo na publicação Novaya Gazeta dizendo que Stalin ordenou pessoalmente as execuções de cidadãos soviéticos é uma mentira.

Segundo o correspondente da BBC em Moscou, o caso é o mais recente desdobramento em uma campanha do Kremlin para restaurar a imagem do líder soviético.

Um novo livro de história para alunos das escolas do país descreve Stalin como um administrador eficiente que liderou a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.

Falando à BBC, o professor de História Orlando Feges, da Universidade de Birkbeck, em Londres, disse que o caso é bizarro, já que há vários documentos comprovando o envolvimento de Stalin nas execuções.

"Não entendo por que o tribunal aceitou seguir adiante com o processo", disse Feges.

"Desde 1991, centenas de documentos dos arquivos da KGB sobre o assunto foram liberados e publicados".

"Alguns contêm a assinatura de Stalin autorizando as execuções", acrescentou.

Segundo o historiador, é fato estabelecido que Stalin foi pessoalmente responsável por pelo menos dez mil execuções.

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Por trás de processos como esse estaria um movimento iniciado por Putin há cerca de cinco ou seis anos para encorajar o povo russo a não sentir vergonha, mas orgulho, do herói de guerra Joseph Stalin.

"O movimento tem o apoio dos meios de comunicação de massa, que são controlados pelo Kremlin", disse Feges.

"Ele vem de cima mas ressoa entre o povo russo, que prefere buscar conforto nos mitos do passado, aprendidos nas escolas soviéticas, e evitar a escuridão e opressão da era Stalin".

O historiador lembrou que recentemente, na Rússia, Stalin obteve o terceiro lugar em uma pesquisa de opinião para eleger os grandes russos de todos os tempos.

"Há rumores de que Stalin teria na verdade ficado em primeiro lugar, mas para evitar embaraços, o resultado teria sido alterado", disse o historiador.

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