crise em honduras

Empresários de Honduras propõem volta de Zelaya ao poder

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya

TV de Honduras disse que Zelaya está analisando proposta

Empresários contrários ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, apresentaram uma proposta para resolver a crise política no país que prevê o retorno do presidente ao poder, mas sob prisão domiciliar e com suas atribuições restritas.

O canal 11 da TV hondurenha afirmou que Zelaya está analisando a proposta elaborada por Adolfo Facusse, presidente da Associação Nacional da Indústria (Andi) de Honduras.

A sugestão é que Zelaya volte à Presidência, mas não possa deixar sua residência e tenha poderes limitados: ele não poderia destituir ministros ou contratar pessoal, por exemplo.

Em troca, o atual líder do governo interino, Roberto Micheletti, renunciaria ao cargo.

Além disso, para garantir a segurança dentro do país e evitar um conflito civil entre as partes opostas, a proposta prevê ainda a presença de uma força militar internacional composta por 3 mil homens.

Reconhecimento eleitoral

A idéia é uma tentativa de sair do impasse criado pela volta de Zelaya ao país, no dia 22 de setembro. Ele foi deposto há mais de três meses, no dia 28 de junho, e desde então houve pouco progresso nas negociações para sair da crise.

A proposta dos empresários modifica aspectos do primeiro acordo negociado em San José da Costa Rica, que prevê, entre outros pontos, uma ampla anistia tanto para os envolvidos no golpe quanto para os seguidores de Zelaya.

Na terça-feira, o mediador do acordo, o presidente costa-riquenho, Oscar Arias, defendeu o acordo de San José como "base dos esforços de diálogo". Ele disse ainda que a realização de eleições (convocadas pelo governo interino para novembro) só servirão para avançar neste processo se forem respeitadas pelas partes em conflito.

"Quero ser categórico nisto. Esta crise não se resolve somente com eleições. Insistir em realizar eleições nestas circunstâncias, desprezando os pontos do acordo de San José e impedindo o exercício de direitos fundamentais, é dar as costas para um reconhecimento eleitoral necessário para devolver a Honduras seu status na comunidade internacional", disse.

Arias defendeu que não se pode isolar o governo de Honduras, e expressou seu otimismo com a possível visita a Tegucigalpa do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e dez outros chanceleres estrangeiros, no próximo dia 7 de outubro.

O embaixador americano em Honduras, Hugo Llorens, disse que o acordo de San José é "chave" para superar a crise.

"Acreditamos que a proposta está na mesa, que é a chave para a solução, para chegar a um acordo, para voltar à democracia, ter um processo eleitoral pacífico com o apoio da comunidade internacional", declarou.

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PARTICIPE

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