Rússia

Grã-Bretanha e França queriam que URSS impedisse unificação alemã, diz Gorbachev

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O presidente francês François Mitterrand e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher queriam impedir a reunificação alemã, em 1990, e sugeriram que a União Soviética enviasse tropas para evitar o processo, segundo afirmou o último líder soviético, Mikhail Gorbachev, em entrevista à BBC.

A reunificação do país, separado entre a capitalista Alemanha Ocidental e a comunista Alemanha Oriental desde o fim da Segunda Guerra Mundial, foi possível graças ao colapso dos regimes comunistas do Leste Europeu e da queda do muro de Berlim, em 1989.

Segundo analistas, esses eventos foram em grande parte consequência do processo iniciado pelas políticas de abertura promovidas por Gorbachev como presidente da União Soviética, entre 1985 e 1991.

O ex-líder soviético diz que ele também era contrário à reunificação alemã, mas que descobriu que Mitterrand e Thatcher contavam com ele para impedir o processo.

“Eles insistiram que a unificação não deveria seguir adiante e que o processo deveria ser interrompido”, afirma Gorbachev.

“Eu perguntei se eles tinham alguma sugestão. Eles só tinham uma – que outra pessoa deveria resolver o problema por eles”, diz.

Ele afirma que Mitterrand e Thatcher queriam que ele dissesse não à reunificação e que enviasse tropas, mas argumenta que não poderia ter feito isso.

“Isso seria irresponsável. Eles estavam equivocados”, diz.

Legado

Aos 78 anos, Gorbachev mantém a serenidade ao falar sobre o legado de seu mandato.

Ele observa que esperava um desfecho diferente para a sua política de abertura, mas que faria tudo outra vez da mesma forma.

A abertura que derrubou o muro de Berlim e os regimes comunistas do Leste Europeu culminou com o fim da própria União Soviética, em 1991.

Por essa razão, o período de Gorbachev à frente do Kremlin permanece altamente polêmico entre a maioria dos russos.

O ex-líder soviético argumenta que trouxe muitos benefícios para a Rússia, dos quais a população do país estaria se beneficiando até hoje – mais liberdade e um reordenamento das relações da Rússia com o mundo.

“Eu acho que 1989 foi uma mudança para melhor. Não há dúvidas sobre isso. Nós não tínhamos a liberdade necessária, particularmente a liberdade de expressão”, diz.

“Um dos países mais educados do mundo tinha eleições que – vamos colocar isso de maneira branda – não eram eleições de verdade, eram meias-eleições, porque as pessoas tinham a escolha de apenas um candidato”, diz.

Segundo ele, “muita coisa precisava ser feita naquela época”. “Precisávamos de mudanças”, diz.

Reconhecimento

Apesar do reconhecimento internacional, como o Prêmio Nobel da Paz que recebeu em 1990, na atual política russa Gorbachev tem um peso quase zero.

Ele também seleciona suas palavras com cuidado, elogiando o premiê Vladimir Putin pessoalmente como o homem que estabilizou o país, mas sem deixar dúvidas de que vê muitas coisas erradas na forma como o país é administrado.

Ele classifica a Rússia Unida, o partido dominante que apoia Putin e o presidente Dmitry Medvedev, como uma “cópia ruim” do antigo Partido Comunista da União Soviética.

E ele acredita que o que a Rússia precisa hoje é de mais democracia. “Precisamos transformar nosso país. Precisamos modernizar nosso país”, ele diz.

“Isso não pode ser feito por pressão. Só pode ser feito por meio da democracia, estabelecendo um ambiente livre e democrático com a participação do povo”, diz.

Ele deixa claro, porém, que acredita que isso é algo que os russos têm que resolver por conta própria, sem lições do mundo exterior.

O que ele faz questão de estabelecer é sua oposição às recentes sugestões de Putin de que estaria contemplando a possibilidade de retornar à Presidência, cargo que ocupou entre 2000 e 2008.

“Eu não gostei da frase ‘Eu vou sentar com o presidente e decidir’”, observa Gorbachev.

“Acho que isso deveria ser decidido pelos eleitores, pelo povo, e eu não o ouvi mencionar o povo. Não acho que isso seja correto”, afirma.

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