Espanha prende cafetões acusados de impor uso de hormônios a prostitutas

Os donos de dois bordéis da região da Catalunha, na Espanha, foram presos sob acusação de obrigar 206 prostitutas - 78 delas brasileiras - a tomar coquetéis de hormônio e vitaminas com a intenção de fazê-las melhorar o rendimento no trabalho.

Um informe da polícia revelou que as mulheres eram tratadas como “animais de carga atentando contra os mais elementares princípios da dignidade humana”.

Segundo a nota do Ministério do Interior, os bordéis Saratoga e Riviera, em Casteldefells, na periferia de Barcelona, contavam com a colaboração de um médico que injetava os coquetéis nas mulheres para que elas “trabalhassem mais e melhor”.

Nas investigações, foram encontrados emails nos quais os donos dos prostíbulos pediam aos clientes que dessem notas para a atuação das prostitutas.

Também pediam desculpas quando o rendimento não era o mais alto. Segundo a polícia, estes correios eletrônicos serviam de controle para determinar como as mulheres respondiam aos coquetéis hormonais.

Menores

A denúncia das irregularidades foi feita por uma faxineira que trabalhava nos dois locais e que agora está ameaçada de morte.

Ela disse que o número de prostitutas encontradas pela polícia (154 no Riviera e 52 no Saratoga) está abaixo do habitual, já que, segundo ela, só no Saratoga havia 80 mulheres trabalhando a cada dia.

Entre as detidas forçadas à prostituição, há 12 menores de idade, que atuavam das 17h até às 4h como as demais mulheres (a maioria estrangeiras em situação ilegal na Espanha), segundo o informe assinado pelo juiz Fernando Bermejo, do Tribunal de Barcelona.

Os bordéis, que já estavam sendo investigados por suspeitas de corrupção policial, permanecerão inativos por seis meses. Um total de 19 pessoas foram indiciadas, e as mulheres receberam ordem de extradição, exceto as prostitutas menores de idade que foram acolhidas em um centro para imigrantes.

Quadrilha

Em outra batida policial na cidade de Valencia, uma quadrilha foi presa acusada de prostituir brasileiras e forçá-las a trabalhar até 20 horas por dia.

Segundo a polícia, as mulheres recebiam passagens aéreas e mil euros (aproximadamente R$ 2,7 mil) cada uma, ao embarcar no Brasil. Quando chegavam à Espanha eram avisadas de que deveriam pagar uma dívida de 4 mil euros (cerca de R$ 10,4 mil) trabalhando em um prostíbulo.

A quadrilha, chefiada por uma brasileira de 25 anos, obrigava as mulheres a trabalhar durante 20 horas diárias tendo apenas um dia de descanso por semana.

Oito pessoas foram presas: seis prostitutas, mais a chefe da organização. Outras três espanholas estão indiciadas por envolvimento em crimes de exploração de mulheres e contra os direitos dos trabalhadores estrangeiros, acusadas de vigiar as brasileiras no bordel.

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