Direitos Humanos

General argentino é condenado à prisão perpétua por crime da ditadura

Santiago Omar Riveros

O general já havia sido condenado em 1985, mas foi indultado em 1989.

O general reformado argentino que chefiou uma notória prisão na época da última ditadura militar do país foi condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade.

Santiago Omar Riveros, de 86 anos, era o comandante do quartel de Campo de Mayo, nos arredores de Buenos Aires, e foi considerado culpado por seu envolvimento na morte do ativista comunista Floreal Avellaneda, que foi torturado e morto aos 15 anos de idade.

Cerca de 30 mil pessoas desapareceram durante a última ditadura militar argentina, entre os anos de 1976 e 1983, segundo organizações de direitos humanos.

O ex-chefe de espionagem de Riveros, Fernando Verplaetsen, foi condenado a 25 anos de prisão em conexão com o crime, e outros quatro oficiais militares foram condenados a penas que variam entre oito e 18 anos de prisão.

Táticas de tortura

Floreal Avellaneda e sua mãe foram sequestrados por um esquadrão militar em 1976 e torturados para que dessem informações sobre o paradeiro do pai de Avellaneda, um líder sindical do Partido Comunista de mesmo nome.

Sua mãe, Iris Pereyra, descreveu ao tribunal as torturas por que passaram: “Eles me deram choques elétricos nas axilas, seios, boca, genitália e fizeram exatamente a mesma coisa com meu filho”.

A mãe foi libertada depois de três anos, mas o corpo de seu filho apareceu na costa uruguaia, com as mãos e pés amarrados e sinais de tortura, disse a promotoria.

Riveros já havia sido condenado em 1985, mas foi perdoado em 1989 pelo então presidente Carlos Menem. Em 2007, a Suprema Corte argentina revogou o perdão, abrindo caminho para que ele voltasse a ser julgado.

O ex-general é acusado de mais de 40 crimes contra a humanidade, envolvendo outras vítimas da ditadura.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, estima-se que 5 mil prisioneiros foram detidos no quartel de Campo de Mayo, um dos maiores centros de execução durante a ditadura militar.

BBC navigation

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.