América Latina

Ideia de nova base dos EUA na Colômbia 'não agrada', diz Lula

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente do Chile, Michelle Bachelet, durante encontro em São Paulo (AP)

Bachelet defendeu Brasil no Conselho de Segurança da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira, durante encontro com a presidente chilena Michelle Bachelet em São Paulo, que não vê com bons olhos a ideia da instalação de bases militares americanas na Colômbia.

“A mim não agrada outra base militar na Colômbia”, disse Lula, ressaltando que esta seria sua opinião pessoal e que o assunto deve ser tratado de forma cuidadosa com a Colômbia, seus países vizinhos e os Estados Unidos.

“Não queremos criar conflito nem com o (presidente colombiano Álvaro) Uribe nem com os Estados Unidos”, disse Lula.

Bachelet disse concordar com as opiniões do líder brasileiro e que o assunto deve ser amplamente discutido no próximo dia 10 na capital do Equador, Quito, quando será realizada a reunião de cúpula da União Sul-Americana de Nações (Unasul).

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Tensão

O recente anúncio feito pelo governo colombiano sobre um possível acordo com os Estados Unidos sobre o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia vem gerando tensão entre o país e a Venezuela.

A parceria entre colombianos e americanos é apontada, inclusive, como um dos motivos que levaram a Venezuela a congelar suas relações diplomáticas com a Colômbia, na terça-feira.

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O acordo prevê a entrega das instalações de pelo menos três bases aéreas na Colômbia ao Exército dos Estados Unidos, o que facilitaria as operações contra o terrorismo e a produção de drogas.

Segundo Lula, outro assunto a ser tratado em Quito será a presença da 4ª frota da Marinha americana na região onde se descobriu o petróleo do pré-sal, na costa brasileira.

“Já tínhamos falado com o Bush e vamos ter que conversar com o Obama. A 4ª frota está quase em cima do pré-sal”, disse ele.

É uma ‘vergüenza’ que o Chile, com apenas 20 milhões de habitante e PIB consequentemente menor que o brasileiro, invista quatro dólares para cada um que o Brasil investe lá.

Luiz Inácio Lula da Silva

No encontro realizado na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Lula reforçou seu apoio à reeleição do chileno José Miguel Insulza para a posição de secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Por sua vez, Bachelet afirmou que o Chile apoia a candidatura brasileira para um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Ambos os líderes repudiaram o que Lula chamou de “golpe de Estado em Honduras” e pediram pela volta do presidente deposto do país centro-americano, Manuel Zelaya.

‘‘Vergüenza’’

Lula e Bachelet também estiveram presentes em um encontro reunindo empresários dos dois países.

Na ocasião, foram assinados diversos acordos de cooperação nas áreas de infraestrutura, bens e serviços, entre outros.

O presidente brasileiro disse ser “uma vergüenza” (vergonha, em espanhol) o fato de que os investimentos brasileiros no Chile serem quatro vezes menores do que os chilenos no Brasil.

“É uma ‘vergüenza’ que o Chile, com apenas 20 milhões de habitante e PIB consequentemente menor que o brasileiro, invista quatro dólares para cada um que o Brasil investe lá”, disse ele.

Lula pediu para que o empresariado brasileiro invista mais em mercados emergentes, como o chileno, como forma de diversificar sua carteira internacional e se prevenir contra crises globais.

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