
Eluana Englaro está em coma há 17 anos.
O governo italiano aprovou nesta sexta-feira um decreto que proíbe a suspensão da alimentação por tubos de pacientes que dependem disso para permanecer vivos.
A medida foi apresentada pelo gabinete do primeiro-ministro Silvio Berlusconi em meio à polêmica em torno do caso da família de uma mulher que está em coma há 17 anos e solicitou o desligamento dos aparelhos que a mantêm viva.
O decreto do governo de Berlusconi foi aprovado um dia após a clínica para onde Eluana Englaro foi transferida ter iniciado a suspensão da alimentação à paciente.
A medida, no entanto, ainda depende da assinatura do presidente Giorgio Napolitano, que se recusou a garantir a sanção da nova lei.
Em uma carta a Berlusconi, Napolitano disse que não considera o caso de Eluana Englaro "urgente" e portanto não assinará a medida aprovada pelo gabinete do primeiro-ministro.
Estado vegetativo
Segundo especialistas, se a suspensão da alimentação continuar, a morte de Eluana deve ocorrer entre dez e 21 dias, dependendo da resistência física da paciente.
Porém, se o decreto virar lei, a prática vai ser considerada ilegal.
Eluana Englaro, de 38 anos, passou os últimos 17 anos em estado vegetativo após sofrer um acidente de trânsito.
Seu caso ficou conhecido em todo o país e provocou um debate intenso sobre a prática da eutanásia, à qual a Igreja Católica se opõe fortemente.
O pai de Eluana ganhou uma longa batalha para desligar os aparelhos que mantêm a filha viva e ela foi transferida nesta semana para a clínica La Quiete, no norte da Itália, que concordou em atender o pedido do pai.