| 20 de maio, 2003 - Publicado às 22h15 GMT |
| Pentágono nega que resgate de soldado no Iraque foi farsa |
 Jessica Lynch virou heroína nos Estados Unidos
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O Pentágono retrucou alegações feitas em um documentário da BBC de que militares americanos encenaram o resgate da prisioneira de guerra Jessica Lynch.
O porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, disse que qualquer afirmação de que os fatos do resgate foram manipulados pelos militares são "inaceitáveis e absolutamente ridículas".
Ele afirmou, ainda, que reportagens especulativas que podem ter provocado algum mal-entendido, mas as suspeitas nunca tiveram origem em comentários oficiais.
"O Pentágono nunca prestou contas do que aconteceu com Lynch porque não sabia, ela nunca nos disse", afirmou Whitman.
Fama
Uma investigação feita pelo programa Correspondent, da BBC, revelou que a história do resgate foi "uma das mais espetaculares peças de propaganda já concebidas".
A secretária do Exército de 19 anos, nascida no estado da Virgínia, foi capturada quando sua companhia fez uma curva errada ao sair da cidade iraquiana de Nasyriah e sofreu uma emboscada.
Nove de seus companheiros foram mortos e Lynch, levada a um hospital local.
Oito dias depois, forças especiais dos Estados Unidos invadiram o hospital e registraram os "fatos dramáticos" com uma câmera.
"Show"
As imagens foram bastante divulgadas pelas TVs ao redor do mundo e transformaram Lynch em heroína nos Estados Unidos.
O Correspondent disse que os soldados sabiam que não havia forças iraquianas guardando o hospital e mostrou um médico dizendo que as tropas usaram balas de festim para fazer um "show".
Os soldados também mostraram que Lynch foi esfaqueada, baleada e interrogada na cama do hospital.
Os médicos, porém, disseram à BBC que fizeram o melhor tratamento possível, levando-se em conta que enfrentavam as condições resultantes de uma guerra em andamento.
O Pentágono disse que não usou balas de festim e que todos os procedimentos foram compatíveis com uma situação em que forças hostis poderiam atacar de surpresa, a qualquer momento.
"Não assumimos riscos desnecessários, temos certeza de que, quando usamos força militar, usamos os recursos necessários, suficientes para realizar o trabalho. É uma decisão tomada pelo comando", disse Whitman.
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