| 09 de maio, 2003 - Publicado às 21h07 GMT |
| África do Sul proíbe sacolas de plástico no país |
 Consumidores vão ter que comprar bolsas reutilizáveis
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O governo da África do Sul decidiu proibir que lojas distribuam a seu clientes sacolas plásticas para carregar mercadorias.
A medida, que atinge bolsas de plástico com espessura inferior 30 mícrons (milésimo de um milímetro), tem o objetivo de diminuir a sujeira nas ruas do país – destino final de boa parte das sacolas.
De acordo com o governo sul-africano, o país usa cerca de 8 bilhões de sacolas plásticas por ano.
O comerciante que der sacolas proibidas para seus clientes poderá receber uma multa de cerca de US$ 13,8 mil (R$ 41,6 mil) ou mesmo ser condenado a dez anos de prisão.
Flor
As sacolas já receberam até o apelido de "flor nacional" na África do Sul, por serem muito visíveis nas ruas do país.
Agora, os consumidores terão duas opções: ou levar uma bolsa de casa para fazer suas compras ou adquirir uma nova sacola reutilizável, com uma espessura maior, que também a tornaria mais fácil e mais lucrativa de reciclar.
"Nós não queremos que elas acabem nas ruas. Nós queremos que todos, fabricantes, lojistas e consumidores, comecem a reciclá-las", disse Phindile Makwakwa, porta-voz do Ministério do Meio Ambiente.
 Eu cresci em tempos de guerra. Não havia coisas como bolsas plásticas. Todos nós levávamos sacolas normais. Da minha parte, está tudo bem. | | Consumidor sul-africano | "Nós queremos acabar completamente com o desperdício de sacolas plásticas", completou.
Negociação
O governo começou a planejar a proibição das sacolas com menos de 30 mícrons de espessura há dois anos.
No início, as autoridades queriam proibir todas as sacolas com menos de 80 mícrons, mas enfrentou forte resistência de sindicatos e empresários.
Uma central sindical sul-africana disse que a proibição iria levar ao fechamento de fábricas e ao corte de 3,8 vagas de trabalho. Já os fabricantes de bolsas plásticas argumentaram que seria impossível produzir as sacolas nas novas especificações sem adquirir novos equipamentos.
Mas foi alcançado o consenso de diminuir a espessura para 30 microns, o que salvaria os empregos existentes e criaria outros em centros de reciclagem.
Mas nem todos os sul-africanos gostaram da medida.
"Não se deveria proibir as sacolas", disse à BBC um consumidor em Johanesburgo. "Isso significa a morte para nós. Teremos que comprar comida e comprar (as sacolas de ) plástico, e vai ficar mais caro."
Outro consumidor deu a entender que o debate não tem muita importância.
"Eu cresci em tempos de guerra. Não havia coisas como bolsas plásticas. Todos nós levávamos sacolas normais. Da minha parte, está tudo bem", disse.
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