| 06 de maio, 2003 - Publicado às 19h53 GMT |
| Aumenta emissão de gases do efeito estufa na Europa |
 UE não deverá cumprir meta de reduzir emissões
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As emissões de gases do efeito estufa na Europa aumentaram em 2001 pelo segundo ano consecutivo.
A Agência Européia do Meio-Ambiente (EEA, na sigla em inglês) estima que as emissões aumentaram cerca de 1% entre 2000 e 2001.
A União Européia tinha como meta reduzir as atuais emissões de gases do efeito estufa em 8% (para atingir o nível registrado em 1990) até 2012. Mas, atualmente, a meta parece impossível de ser cumprida.
O compromisso de reduzir a emissão em 8% foi firmado pela União Européia seguindo os temos do Protocolo de Kyoto – o acordo internacional para combater mudanças climáticas.
Protocolo de Kyoto
Ainda não houve um número suficiente de signatários para ratificar o protocolo e permitir que ele entre em vigor.
Há dois anos, o presidente americano, George W. Bush, disse que os Estados Unidos não o ratificariam. Em seguida, o governo australiano também se negou a ratificar o protocolo.
Há dúvidas também quanto à disposição da Rússia em assinar o Protocolo de Kyoto. Alguns cientistas russos acreditam que as mudanças climáticas mundiais possam ser benéficas para o país.
Entre o final de setembro e o início de outubro, Moscou será tema de uma conferência mundial sobre mudança climática.
Constrangimento
O aumento na emissão de gases entre os países europeus é particularmente constrangedor para a União Européia, visto que ela está entre os maiores defensores do Protocolo de Kyoto.
A emissão do principal gás listado no Protocolo de Kyoto – o dióxido de carbono (CO2) – aumentou 1,6% entre 2000 e 2001.
Na Alemanha, na França e na Grã-Bretanha, os maiores aumentos na emissão de CO2 ocorreram por causa de emissões a partir de domicílios e de pequenas empresas.
A EEA afirma que as principais razões para o aumento da emissão dos seis gases do efeito estufa em 2001 se deram porque a maior parte dos países europeus enfrentou invernos mais frios.
Devido aos invernos rigorosos, mais domicílios utilizaram combustíveis para aquecimento. Além disso, houve também mais emissões geradas por transportes e por combustíveis fósseis usados em eletricidade e em aquecimento.
Segundo a agência ambiental européia, o inventário das emissões de gases do efeito estufa se baseia em "estimativas e está sujeito a revisões anuais".
De acordo com a entidade, o elevado aumento da emissão na Áustria (de 4,8%) e na Finlândia (de 7,3%) foram parcialmente causadas por invernos mais rigorosos, mas também por uma maior escassez de chuvas.
O aumento também propiciou um corte na produção hidrelétrica na Finlândia e obrigou o país a importar produtos elétricos de outros vizinhos escandinavos.
Mudança de metas
Segundo a EEA, as cifras mais recentes indicam que dez dos 15 Estados que são membros da União Européia estão ampliando sua meta de emissão de gases.
De acordo com a entidade, os dez países são Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Grécia, Itália, Holanda, Portugual e Espanha.
Apesar de a União Européia estar comprometida com a meta de cortes na ordem de 8%, países-membros da UE possuem a sua própria meta.
Alguns dos países menos desenvolvidos da UE têm permissão para emitir muito acima da meta européia. É o caso da Irlanda, que foi autorizada a ter um aumento na sua emissão em 13%.
De acordo com a agência ambiental, os três países europeus mais distantes de cumprir a meta que eles próprios estipularam são Espanha, Portugal e Irlanda. A emissão dos três em 2001 foi 31% mais alta do que em 1990.
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O país europeu que registrou a maior redução foi Luxemburgo – que cortou a sua emissão de gases em 44%.
Luxemburgo, assim como Alemanha, Suécia e Grã-Bretanha, está proximo de cumprir suas metas firmadas no Protocolo de Kyoto. A França deve ficar abaixo da meta incialmente firmada por uma estreita margem.
Segundo o cientista britânico Philip Stott – um dos maiores críticos da tese do aquecimento global – a Europa peca pela "duplicidade" na questão de emissão de gases do efeito estufa.
"Os europeus se julgam no direito de dar lições de moral para todo mundo – em especial para os americanos – sobre a moralidade do ato de reduzir a emissão de gases", disse Stott.
"Mas esteve claro desde o início que a maior parte dos países europeus não têm a mínima chance de cumprir as suas próprias metas firmadas em Kyoto", acrescentou o cientista.
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