| 15 de abril, 2003 - Publicado às 17h33 GMT |
| Incêndio destrói documentos históricos no Iraque |
 Moradores levaram as obras dos museus de Bagdá
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Quase todos os documentos que estavam na Biblioteca Nacional do Iraque podem ter sido destruídos por incêndios, o que seria um prejuízo incalculável para a história do país e da humanidade.
A biblioteca, no centro de Bagdá, abrigava várias obras raras, incluindo toda a memória da corte real e o arquivo do período em que o Iraque era parte do Império Otomano.
Não se sabe quem começou os incêndios. Uma onda de saques também causou danos irreparáveis ao Museu Nacional, onde artigos raros foram danificados, queimados ou roubados.
O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, prometeu recuperar e restaurar as antiguidades roubadas do museu. Comissões que cuidam da herança história dizem que tudo isso poderia ter sido evitado.
Patrulhas começam
O repórter Robert Fisk – do jornal Independent, de Londres – esteve no local onde ficava a biblioteca e disse à BBC que o prédio inteiro foi destruído. Ele viu manuscritos do século 16 jogados no chão.
De acordo com Fisk, uma biblioteca islâmica das redondezas também foi tomada pelas chamas. Obras valiosas foram destruídas, incluindo uma das mais antigas cópias do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.
As patrulhas conjuntas de americanos e iraquianos que fazem a segurança da cidade agora se expandiram para os arredores de Bagdá numa tentativa de frear a violência.
Vários líderes religiosos xiitas apelaram à população local para devolver objetos saqueados. Eles disseram que muitos já foram recuperados e serão mantidos em mesquitas para garantir a segurança.
"Só vamos devolvê-los quando tivermos um governo democrático", disse o clérigo xiita Sayyad Ali al-Shawki à agência de notícias Associated Press.
Colin Powell afirmou que o museu destruído era "um dos grandes museus do mundo" e disse que os Estados Unidos vão liderar a restauração.
Especialistas em cultura iraquiana farão uma reunião de emergência na quinta-feira para avaliar o prejuízo causado ao patrimônio cultural do país pelos saques.
Recuperar e restaurar
Colin Powell disse, ainda, que os Estados Unidos garantiriam a segurança do museu e que trabalhariam com organizações como a União Européia e o braço cultural das Nações Unidas, a Unesco, para a restauração.
Segundo ele, os Estados Unidos iriam "recuperar o que foi roubado e participar da restauração do que foi quebrado".
Mas a perda e a destruição já sofridas foram descritas como "um desastre" pela Unesco.
A organização anunciou que já tem uma equipe de 30 pessoas pronta para ir ao Iraque "quando as condições permitirem".
O Museu Britânico, de Londres, também afirmou que pretende enviar especialistas a Bagdá para evitar a venda de antiguidades saqueadas.
"Apesar de nós ainda esperarmos informações mais precisas, temos certeza de que uma tragédia aconteceu com a herança cultural do Iraque", disse o diretor-geral do museu, Koichiro Matsuura.
O Museu Nacional do Iraque abrigava objetos que tinham mais de 10 mil anos, das civilizações mais antigas do mundo.
O desenvolvimento da escrita, do sistema de números, da roda e da agricultura estavam todos retratados em suas exposições.
As coleções dos períodos sumério, babilônico e assírio eram particularmente valiosas.
História da Humanidade
Apesar das promessas de Colin Powell, há o temor de que muitos objetos tenham se perdido para sempre.
Depois da Guerra do Golfo, em 1991, quatro mil peças desapareceram quando museus regionais foram saqueados.
Donny George, arqueologista do museu, disse que a coleção era "a mais valiosa sobre a história contínua da humanidade e foi perdida. Se os marines tivessem começado antes (a fazer a segurança), nada disso teria acontecido. É tarde demais". |
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