| 11 de abril, 2003 - Publicado às 13h40 GMT |
| A poesia da vitória |

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A coalizão anglo-americana pode ser boa de derrubar estátuas, mas em duas coisas ela nega fogo, para recorrer a uma péssima expressão: nem americanos nem ingleses têm facilidade para aprender e dominar uma nova língua.
A segunda coisa? Localizar armas de destruição em massa, é claro.
Na alta direção dos trabalhos de guerra, do lado de lá do Atlântico, George W. Bush já deu origem a um neologismo pejorativo, os bushismos, que são frases de difícil compreensão para outros seres humanos, mesmo entre os americanos.
Donald Rumsfeld não fica lá muito atrás, embora tenha aprimorado uma particularíssima maneira de lidar com o idioma de Shakespeare e do general Norman Shwartzkopf.
De Donald Rumsfeld, o já célebre, e citado nesta coluna, “há certezas certas e certezas incertas”. Rumsfeld, no entanto, é desconcertante.
Às vezes é homem de prosa curta, como um de nossos mineirões. Outras vezes é prolixo e obscuro, como um de nossos baianos.
Ao apontar um dedo acusador para a Síria, como o canhão de um tanque para o hotel recheado de jornalistas, Rumsfeld foi objetivo.
Em outra coletiva, tratando de assunto mais vago, vira de repente um misto de Castro Alves com Samuel Beckett.
Observando isso, a revista virtual Slate, em edição recente, teve a feliz idéia de transformar em poesia alguns dos dizeres do secretário de Defesa Rumsfeld.
Pincei as seguinte estrofes, que traduzi com o entusiasmo de um iraquiano se oferecendo para apontar traidores entre seus vizinhos para o marine americano. Com o título de “Clareza”:
Eu creio que você verá,
Eu creio que o que você verá é,
Não importa o que fizermos substantivamente,
Haverá uma quase que perfeita clareza
Quanto ao que constituirá.
E será conhecido,
E será conhecido do Congresso,
E será conhecido por vocês,
Talvez antes de decidirmos,
Mas será conhecido.
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