| 09 de abril, 2003 - Publicado às 14h50 GMT |
| A reconstrução |

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“Ei, civis iraquianos! Vocês têm 48 horas para deixarem o país!”
Paráfrase do ultimato dado por George Bush a Saddam Hussein. Ao que parece, segundo peritos em saúde pública, nos três primeiros meses de liberdade, livres do jugo totalitário, cerca de 300 mil iraquianos virão a morrer devido a crises na frente humanitária.
Segundo as mesmas fontes, os Estados Unidos vêm gastando 120 vezes mais em balas e bombas do que em ajuda humanitária.
Guerra é assim mesmo e não é preciso recorrer a Tucídedes, Sun Tzu e Clausewitz para se chegar à conclusão que, segundo a lenda, um general americano chegou quando da guerra do Vietnã: “Afim de salvar a aldeia, tivemos de matar seus habitantes”.
Ainda há muito iraquiano vivo e o problema agora é como melhor aplicar-lhes uma boa e indolor democracia.
O país é rico em petróleo e, entre os vencedores, há um certo louvável pudor em não querer demonstrar avidez em explorar aquilo que nós, brasileiros, já apodamos, por devaneio e poesia, de “ouro negro”.
Há portanto que se reunir muito – em Belfast e outras regiões serenas do globo – para se decidir o destino político dos vencidos.
Forçoso ainda não sair na mão um com o outro e dar uma colher de chá para organismos e instituições internacionais de reputação idônea: Nações Unidas, OTAN, Pentágono, CIA, iraquianos exilados, por aí.
Os americanos, como sempre, já têm um plano. O novo governo do Iraque será temporário e constará de 23 ministérios (menos que o Brasil), cada um deles liderado por um americano (ao contrário do Brasil) com a assistência técnica de iraquianos munidos de atestados de bons antecedentes.
À frente disso tudo – gravem este nome –, o general aposentado Jay Garner, que irá liderar o Escritório para Reconstrução e Questões Humanitárias. Garner deixou seu passatempo predileto, na Flórida, o golfe, recomendado por seu velho amigo Donald Rumsfeld.
Os árabes, no entanto, estranham um pouco a escolha. Afinal foi Garner que, no ano 2000, assinou uma declaração louvando o “notável comedimento” dos israelenses no tratamento dos palestinos.
Por coincidência, Garner também é presidente da SYColeman, companhia que assessora Israel no tratamento e uso dos mísseis Patriot e Arrow. E Israel, como todos sabem, nada, nada tem a ver com isso tudo.
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