| 31 de março, 2003 - Publicado às 18h33 GMT |
| Celso Amorim conversa com papa sobre guerra e Fome Zero |
 Papa reafirmou sua posição contra a guerra no Iraque
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Glaucia da Matta-Machado, de Roma
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, entregou nesta segunda-feira ao papa João Paulo 2º, uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na mensagem, Lula ressalta a importância da liderança espiritual e política da Santa Sé e do santo padre em um contexto mundial de crise e sobretudo com relação à guerra no Iraque. Lula reafirma, ainda, o princípio de que a única guerra justa é a guerra contra a fome e as injustiças sociais.
O ministro encontrou o pontífice em boa forma, "confirmando a impressão de que ele está mais forte neste período". O encontro durou 20 minutos, durante os quais conversaram, a pedido do papa, "em português brasileiro".
Amorim contou que o papa estava bem informado e demonstrou interesse sobre a situação social do Brasil. O ministro disse que relatou "o empenho do presidente Lula na questão das desigualdades sociais, do programa Fome Zero e da posição brasileira quanto ao conflito no Iraque".
Posição brasileira
Segundo o ministro, a posição brasileira "é muito parecida com a do papa e a favor das pressões que ele vem fazendo em favor da paz".
"Estou convencido de que neste momento as lideranças políticas não são suficientes para resolver esta guerra", afirmou o ministro.
"As articulações diplomáticas naturalmente não podem parar, são indispensáveis, mas agora o mundo precisa, sobretudo, de uma liderança espiritual, e o papa é um incontestável líder espiritual não só para os católicos mas para a humanidade."
O papa fez perguntas sobre o Brasil e ouviu do ministro Celso Amorim de que a Igreja brasileira está muito satisfeita com o governo Lula.
A porção progressista do clero brasileiro que sempre se envolveu com as questões econômico-sociais é a mesma que freqüentemente entra em atrito com o Vaticano exatamente por causa deste envolvimento político-social.
Depois do encontro com o papa, o chanceler se encontrou com o cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano e com o monsenhor Turain, que ocupa um cargo equivalente ao de Amorim na Santa Sé.
O encontro durou 40 minutos, com conversas mais aprofundadas basicamente sobre os mesmos assuntos.
Agenda européia
O ministro Amorim viajou à Europa para encontros do Mercosul e do Grupo do Rio com a representantes da União Européia em Atenas, Grécia, na semana passada. Ele se reuniu ainda com Pascal Lami, comissário para Assuntos Comerciais da União Européia e com Javier Solana, responsável por política externa do bloco.
Amorim conversou com eles sobre a crise no Iraque e sobre a necessidade de reforçar a ONU como estrutura política mundial depois da guerra.
Segundo o ministro, será necessário rediscutir e reestruturar o Conselho em um futuro próximo.
A tão sonhada participação do Brasil no Conselho, segundo Amorim, é um assunto que deve ser abordado dentro da discussão mais ampla de reformas da ONU.
Ele disse que o tema não foi mencionada agora em seus encontros com os europeus já que se trataria, segundo ele, "de oportunismo político de péssimo gosto".
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