| 30 de março, 2003 - Publicado às 17h01 GMT |
| Proibição do fumo em bares acende polêmica em NY |

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Angela Pimenta, de Nova York
A partir deste domingo, 30 de março, o fumo passa a ser proibido na maioria dos 14 mil bares e restaurantes da cidade de Nova York.
As únicas exceções serão bares que tenham salas especiais com sistemas de ventilação, aqueles com mesas na calçada e charutarias. Tais estabelecimentos representam 10% do total na cidade.
Uma infração à nova lei custará uma multa de mil dólares ao estabelecimento infrator e a abertura de um processo que poderá levar ao seu fechamento.
Desde que foi anunciada, a proibição ao fumo acendeu um debate acalorado entre fumantes e anti-tabagistas. “Fomos chutados dos lugares públicos de nossa própria cidade,” diz a fumante-ativista Audrey Silk, de 38 anos, que há 22 anos fuma dois maços de cigarro por dia. “Sei dos riscos decorrentes do fumo, mas adoro um cigarro. Minhas liberdades individuais estão sendo desrespeitadas", acrescenta ela.
Entusiasmo
Já o ex-fumante Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, é um entusiasta da nova lei. “Estamos no meio de um movimento para a melhoria da saúde nacional e é certo que Nova York esteja na liderança,” disse ele recentemente numa entrevista coletiva.
De acordo com a legislação anterior, o fumo era probido na grande maioria de lugares públicos, como escritórios, escolas e hospitais.
Segundo o Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova York, a nova lei foi criada para beneficiar os empregados não fumantes de bares e restaurantes.
Estudos divulgados pelo órgão mostram que durante uma jornada de oito horas de trabalho, tais empregados inalam a fumaça equivalente a meio maço de cigarro, tornando-se mais propensos a contrair doenças pulmonares.
Mortes
Estatísticas municipais revelam também que entre a população de 8 milhões de habitantes da cidade, existem 1,4 milhão de fumantes.
Mas entre os que fumam, sete em cada dez gostariam de interromper o vício. Diariamente, cerca de 25 nova-iorquinos morrem vítimas de doenças relacionadas ao fumo.
“Esta lei faz justiça aos trabalhadores que não fumam e não há como negar que nós somos a maioria,” diz o brasileiro Klauber Pinto, gerente do bar e restaurante Coffe Shop, em Union Square.
“Os fumantes terão que aprender a se controlar, como aliás já fazem nos aviões", disse ele.
Desemprego
Mas os fumantes dizem que a nova lei irá prejudicar o faturamento dos bares e restaurantes da cidade, trazendo riscos de desemprego para seus garçons, cozinheiros e gerentes.
“Essa lei é um absurdo,” diz Mary Przybylski, garçonete do bar Guernica, no East Village. “Ela causará um baque ainda maior do que o prejuízo que tivemos na época de 11 de setembro de 2001.”
Przybylski, de 29 anos, fuma meio maço de cigarros por dia.
Para protestar contra a nova lei, um grupo de fumantes novaiorquinos organiza, neste domingo, o jantar para fumantes “Bye-Bye New York” na churrascaria Frankie & Johnnie's situada em Hoboken, uma cidade vizinha à ilha de Manhattan, do outro lado do rio Hudson, no estado de Nova Jersey.
Durante a Lei Seca, na década de 1920, a churrascaria sediava um speakeasy, um estabelecimento que servia álcool, então ilegal nos Estados Unidos.
Organizado pelo grupo Cidadãos em Lobby contra o Assédio aos Fumantes (CLASH - Citizens Lobbying Against Smoker Harrassement), o protesto deste domingo explora a crescente rivalidade econômica e fiscal entre os estados de Nova York e Nova Jersey.
“Com este jantar vamos mostrar ao prefeito que temos o direito de escolha, tanto como clientes quanto proprietários,” diz a fumante Audrey Silk, uma das organizadoras da manifestação.
“De agora em diante, o fumante novaiorquino que quiser jantar fora ou tomar uma cerveja, pode pegar o trem e em quinze minutos estará em Nova Jersey, contribuindo com os impostos de lá.”
O jantar custa 60 dólares por pessoa e inclui comida e bebidas. |
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