| 28 de março, 2003 - Publicado às 13h15 GMT |
| Passatempo de guerra |

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“O espetáculo começa quando você chega” era o slogan das Sessões Passatempo, no Capitólio, Rio de Janeiro, onde, até os anos 50, a gente que trabalhava no centro da cidade entrava e via um ou dois desenhos, comédia, em geral dos Três Patetas, e uns dois cine-jornais, sendo que um nacional e com qualificação da censura como de “boa qualidade”.
“A guerra começa quando você chega”, podemos dizer agora adaptando o mote. Você chega em casa, liga a televisão num desses canais com 24 horas de notícias por dia e vê… vê o quê? Aquelas mesmas pessoas, que já vão ficando íntimas nossas, meio zonzas (como os Três Patetas?), tentando fazer o possível para que entendamos o que está acontecendo.
Tarefa inútil. Há graciosos mapas eletrônicos e, via videofone, correspondentes diretamente de território iraquiano informando, antes de sua pequena reportagem, que tudo que se segue foi monitorado pelas autoridades do regime de Saddam Hussein.
Fica subentendido que tudo que é mostrado – e é pouquíssimo – do lado da propalada coalizão é totalmente livre do contágio da censura.
Voltando à poltrona do Capitólio: é tudo de “boa qualidade”, fidedigno.
A teve catariana Al-Jazeera, que atinge um público de 45 milhões de pessoas no mundo árabe, ganhou mais 4 milhões de assinantes na Europa desde que a guerra contra o Iraque começou há 10 dias, ou seja, dobrou.
Traduzindo: busca-se uma fonte alternativa de informações. Mesmo mostrando prisioneiros de guerra e soldados mortos. Até agora, não se verificaram muitas reclamações contra a exibição de civis mortos, tanto pelas emissoras ditas aliadas quanto pelas inimigas, ou seja, a Al-Jazeera.
Esta foi banida de Wall Street e varrida da internet, depois de ter recebido uma bela cantada por parte do time de George W. Bush, que procurava, conforme se diz, estreitar os nada tradicionais laços de amizade que os desunia. Guerra é guerra.
No meio do fog da guerra, a Al-Jazeera, na noite de quarta-feira, aqui em Londres, recebeu seu equivalente a um Oscar: levou o prêmio de “aparente independência” numa região em que a maior parte da mídia é policiada pelo estado, conforme disseram os juízes por ocasião da terceira distribuição anual dos diplomas oferecidos pelo Index on Censorship Freedom.
Essa é uma notícia confirmada embora não registrada por quaisquer câmeras.
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