| 24 de março, 2003 - Publicado às 10h37 GMT |
| Atiradores matam 24 hindus na parte indiana da Caxemira |
 Nos últimos meses, houve uma série de atentados
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Integrantes da cúpula do governo da Índia realizam nesta segunda-feira de uma reunião de emergência depois que 24 hindus foram mortos na porção da Caxemira administrada pela Índia.
A polícia disse que atiradores não-identificados balearam moradores da minoria hindu da cidade de Shopian, no sul da Caxemira.
Esse foi o pior ataque desde que o novo governo da parte indiana da Caxemira foi eleito, em setembro de 2002.
Muitos esperavam que as eleições, que foram pacíficas, ajudariam a aliviar as tensões na região.
Nadimarg
O diretor-geral da polícia, AK Suri, disse que os atiradores estavam vestidos em uniformes militares quando invadiram o povoado de Nadimarg, nas proximidades de Shopian – cerca de 50 quilômetros ao sul da cidade Srinagar.
Os homens teriam dito à polícia que eram soldados do Exército da Índia e que iriam realizar uma operação de revista.
Eles teriam, então, tomado as armas dos policiais e fuzilado as pessoas – entre elas, mulheres e crianças –, segundo a polícia.
Deepak Kumar, que perdeu a mãe no ataque, se escondeu dentro de sua casa quando os agressores bateram na sua porta.
"Ouvi uma batida na porta. Os homens disseram ser forças de segurança e que queriam revistar casas em busca de militantes", disse Kumar à agência de notícias Reuters.
Outra testemunha, Chunni Lal, disse que ele e outros moradores estavam em enfileirados quando os atiradores abriram fogo.
"Fui atingido, caí e me fingi de morto", disse Lal.
Plantão reduzido
Nadimarg normalmente tem uma guarnição de oito policiais, mas apenas quatro estavam de plantão na hora do ataque, no domingo à noite, segundo a agência AFP.
Analistas afirmam que o atentado deve representar um enorme contratempo para o secretário-chefe da Caxemira, Mufti Mohammed Sayeed, que havia pedido aos hindus da Caxemira para voltarem ao Estado dividido.
Centenas de milhares de hindus fugiram desde que a violência separatista estourou na região, em 1989.
A eleição de Sayeed, que tirou do poder o partido que governava a Caxemira desde a independência da Índia, foi considerada um marco.
A correspondente da BBC em Nova Déli, Jill McGivering, afirmou que esse atentado é mais um golpe contra a administração que prometeu restaurar a normalidade na Caxemira com o que descreveram de "toque mágico".
No entanto, o Estado foi palco de uma nova onda de violência nas últimas semanas, depois de meses de paz aparente.
No domingo, um líder separatista, Abdul Majid Dar, foi fuzilado por militantes islâmicos.
Dar integrou o Hizbul Mujahideen, um dos principais grupos militantes na luta contra o domínio da Índia na Caxemira, mas foi expulso da organização no ano passado.
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