| 17 de fevereiro, 2003 - Publicado às 10h08 GMT |
| Cobrança de pedágio urbano entra em vigor em Londres |
 O prefeito espera reduzir o trânsito a níveis de férias
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A partir desta segunda-feira, os motoristas que entrarem no centro de Londres estão sujeitos à cobrança de cinco libras (cerca de R$ 30) diárias, dentro de um esquema de pedágio urbano implantado pela primeira vez na cidade.
A expectativa é de que, em um primeiro momento, a nova taxa crie confusão no entorno da zona de pedágio e sobrecarregue o transporte público, principalmente o metrô.
O esquema entrou em vigor às 7h (4h, no horário de Brasília) desta segunda-feira, e acredita-se que cerca de 30 mil motoristas venham a deixar seus carros na garagem e buscar formas alternativas de transporte para o centro.
As ruas tiveram um movimento mais intenso que o normal antes das 7h desta segunda-feira, com muitos motoristas saindo mais cedo de casa para tentar driblar o novo pedágio.
'Caos'
A taxa foi criada com o objetivo de diminuir os congestionamentos no centro de Londres, onde a média de velocidade dos automóveis é de 16 km/h.
Espera-se que o pedágio arrecade 130 milhões de libras (cerca de R$ 778 milhões) nos próximos dois anos, que serão investidos na melhoria do sistema de transporte público.
O motorista que não pagar as cinco libras esterlinas da taxa, que será cobrada de segunda a sexta-feira entre 7h e 18h30 (4h e 18h30, de Brasília), pode ser multado em 80 libras (cerca de R$ 480), caso tenha a placa de seu carro fotografada por uma das câmeras instaladas em locais estratégicos da zona central.
Clique aqui para ler uma explicação sobre o que é o pedágio urbano
O esquema londrino está sendo observado com atenção por funcionários da administração de outras 30 cidades britânicas, entre elas, Cardiff, Edimburgo, Belfast, Leeds e Bristol, que também estudam a possibilidade de implantar medidas similares.
O prefeito de Londres, Ken Livingstone, já alertou os motoristas que os primeiros dias do esquema devem ser caóticos.
Livingstone diz que o pedágio urbano vai reduzir o tráfego, fazendo com que as viagens e os tempos de entrega no centro sejam mais confiáveis, e levantando milhões de libras por semana, que serão reinvestidos no transporte público da cidade.
"Serão uns dois ou três dias muito ruins para começar, e aí as pessoas vão se acostumar com o funcionamento do esquema", disse o prefeito.
Por volta de 6h30 (4h30, de Brasília), mais de 30 mil pessoas já tinham pago o pedágio para esta segunda-feira, e outros 50 mil já haviam se registrado para pagar a taxa por meio de mensagens enviadas por celular.
Problemas
Os administradores do novo esquema temem três problemas principais: engarrafamentos nas ruas ao redor da zona de cobrança, sobrecarga nos ônibus e no metrô e problemas com as centrais telefônicas que fazem os pagamentos.
Diversas manifestações contra o pedágio urbano já foram realizadas em Londres. Livingstone já admitiu que, se a tecnologia que sustenta o esquema falhar, poderá abandonar o projeto.
Ônibus extras para mais 11 mil passageiros foram colocados em circulação nesta segunda-feira para tentar aliviar o aumento na demanda por transporte público.
No entanto, um relatório publicado na semana passada revelou que a maior parte da população iria usar o metrô, apesar de as linhas Central, e Waterloo e City permanecerem fechadas em virtude de um descarilamento ocorrido no dia 25 de janeiro.
O prefeito de Londres disse esperar que os motoristas levem pelo menos 15 dias para se adaptar ao novo sistema e ao efeito que ele terá no trânsito da cidade.
"Esse é um dia histórico para Londres", disse Livingstone.
"Todo mundo sabe que são necessárias decisões firmes para combater os engarrafamentos que paralisam a nossa capital."
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