| 14 de fevereiro, 2003 - Publicado às 11h39 GMT |
| Pedágio deve afetar meio ambiente e economia de Londres |
 Taxa pretende reduzir até 20% do tráfego em Londres
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Mariana Timóteo da Costa
A redução do tráfego é o objetivo imediato do pedágio urbano. Mas outras organizações, principalmente que trabalham com indicadores econômicos e ambientais, estarão de olho no novo esquema de cobrança para os carros que trafegarem nas ruas de Londres.
Assim que entrar em vigor, empresas estarão monitorando a qualidade do ar na capital inglesa, para verificar se o esquema está combatendo a poluição.
Lucros de companhias, lojas e serviços diretamente afetados pelo esquema também serão verificados.
"Na verdade, ninguém ainda sabe o que vai acontecer com a cidade depois do pedágio, mas tudo será verificado", disse o brasileiro Sérgio Chiquetto, da empresa Steer Davis Gleave, especializada em tráfego urbano e que presta consultoria para a Prefeitura de Londres.
Ônibus e motos
A partir da próxima segunda-feira, por exemplo, estações de monitoramento do ar estarão funcionando em vários pontos de Londres.
As estações irão analisar as quantidades de dióxido e monóxido de carbono, bem como hidrocarbonetos liberados na atmosfera.
"Uma redução no número de carros e um número maior de pessoas viajando de ônibus podem fazer com que a qualidade do ar melhore no que diz respeito a esses poluentes", explicou Chiquetto. "Enquanto um carro leva no máximo uma ou duas pessoas, um ônibus polui quase igual, mas leva 50 pessoas".
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Economia
A empresa também analisará os impactos econômicos do pedágio urbano, inicialmente verificando a venda de motocicletas em Londres.
Segundo cálculos preliminares, essas vendas podem aumentar em até 20% ou "muito mais", como avalia Chiquetto.
"Como as motos estão isentas do pedágio, e precisam ser registradas quando são vendidas (ao contrário das bicletas), verificar a venda de motos pode ser um bom inidicador para saber se o plano está dando certo", disse o engenheiro.
Mas nem todos podem ter a mesma felicidade dos vendedores de motocicletas.
Donos de empresas que realizam entregas no centro de Londres, por exemplo, afirmam que podem ter mais de 100 libras de prejuízos (R$ 560 mil) anuais, quando a tarifa começar a ser implementada porque terão que pagar o pedágio para os seus funcionários.
"Essas empresas, no entanto, devem levar em conta que poderão, caso o plano der certo, realizar mais entregas em menos tempo porque a cidade ficará menos engarrafada", disse Richard Bourn, da ONG Transport 2000.
Opositores do prefeito Ken Linvingstone, político independente ex-integrante do Partido Trabalhista, aparecem constantemente nos jornais britânicos criticando o pedágio e pedindo para que ninguém seja ingênuo.
Para os críticos, o prefeito não está explicando bem o plano, e não se preocupa com o medo dos comerciantes.
"Trata-se de uma indústria com margens muito tênues e, caso ela sofra prejuízos, o preço dos serviços vai aumentar para que o prejuízo seja repassado", disse Helen Evans, relações públicas do Mercado de Covent Garden, um dos mais populares de Londres.
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