| 10 de fevereiro, 2003 - Publicado às 15h43 GMT |
| Perfil: Saddam Hussein |
 Saddam está no poder há 24 anos
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Paul Reynolds
O líder do Iraque, Saddam Hussein, está se preparando para o segundo round da luta contra um presidente americano chamado George Bush.
No primeiro, em 1991, seu adversário foi o pai do atual ocupante da Casa Branca. Saddam perdeu a guerra, mas manteve o cargo.
Agora, chegou a vez de enfrentar o Bush mais novo. Com uma diferença: o alvo americano não são mais as tropas iraquianas no Kuwait, mas o próprio Saddam.
Até o momento, o presidente iraquiano se mostrou bom de briga na luta pela sobrevivência política. Mas será que desta vez ele escapa?
Carreira
Na Guerra do Golfo, analistas apostavam que, sob pressão, Saddam logo desistiria de ocupar o Kuwait.
Mas ele não desistiu facilmente. Afinal, capacidade e resistência não lhe falta. E não é de hoje.
Saddam nasceu em 1937 perto de Takrit, ao norte de Bagdá, e cresceu num clima de arraigado anti-ocidentalismo.
Com 19 anos, filiou-se ao partido Baath, na época a vanguarda do movimento secular nacionalista árabe.
Três anos mais tarde, em 1959, participou da tentativa de assassinato do primeiro-ministro Abd-al-Karim Qasim. O plano fracassou e ele fugiu do país.
Saddam, porém, não desistiu. De volta ao Iraque, participou do golpe de Estado que levou o Baath ao poder.
Nos anos 60 e 70, ocupou várias posições de destaque no partido até chegar à presidência do país, em 1979.
Combate à oposição
Como presidente, Saddam se mostrou implacável com os adversários. Um exemplo disso está numa fita de vídeo gravada numa festa.
Na ocasião, ele anunciou calmamente, entre uma tragada de cachimbo e outra, a presença de traidores no local.
Enquanto parte dos convidados dava gritos de apoio ao líder, os inimigos eram expulsos do salão, rumo à execução.
Nem a família do ditador escapa. Dois de seus genros, Hussein Kamil e Saddam Kamil, foram assassinados em 1996, depois de desertarem do governo do sogro e fugirem para Jordânia.
Foram mortos na volta à Bagdá, um dia depois de suas mulheres pedirem o divórcio na Justiça.
 Saddam costuma ser implacável com adversários políticos | Ao que tudo indica parentes de Saddam foram os responsáveis pelos assassinatos
Invasão do Kuwait
Líder absoluto do Iraque, Saddam queria mais: expandir o poder no Oriente Médio.
A ambição está ainda hoje retratada em cartazes espalhados pelo país, que mostram o líder comandando exércitos árabes até Jerusalém.
Em 1980, sua política expansionista não se contentava mais com as imagens dos outdoors. O exército de Saddam atacou o Irã.
A guerra se arrastou por oito anos até o Iraque ser obrigado a recuar. Mas não sem antes ter usado armas químicas contra tropas iranianas e curdos iraquianos. No período, o país também tentou desenvolver uma bomba atômica.
Em 1990, Saddam escolheu outro alvo: o Kuwait. Mais uma vez, a aventura não deu certo. Ainda assim, o líder iraquiano ganhou apoio de parte do mundo árabe, satisfeita com os mísseis lançados contra Israel durante o conflito.
Saúde
Ao que tudo indica, o líder implacável do Iraque tem saúde frágil.
Desde 96, circulam pela imprensa internacional notícias que Saddam teria câncer no intestino e, posteriormente, também câncer linfático.
As autoridades do país sempre negaram as informações.
Em meio à política, a manobras militares e rumores sobre sua saúde, Saddam arruma tempo para se dedicar à literatura.
Seu primeiro romance se chama Zabibah e o Rei.
A obra foi publicada anonimamente em 2000, mas, pelo seu grande alcance, logo se desconfiou quem era o autor.
O outro livro de Saddam é A Fortaleza Inexpugnável, de 2001.
Também inicialmente publicado por um autor anônimo, o livro acabou tento a autoria confirmada pela imprensa iraquiana.
Leia a especial sobre a crise no Iraque |
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