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05 de fevereiro, 2003 - Publicado às 09h12 GMT
Caça ao HIV



 Clique aqui para ouvir esta coluna do Ivan Lessa

Kissinger estava errado. O poder não é o maior afrodisíaco. O perigo é o maior afrodisíaco. Pelo menos, é o que parece.

Aqui no Reino Unido, uma velha lei que punia por ofensa ao pudor e à moralidade pública o amor físico entre pessoas do mesmo sexo, em banheiros públicos - prática conhecida no metiê como "cottaging" ou, literalmente, sair em busca ou fazer bangalôs -, deverá ser revogada. Um perigo a menos, menos graça.

Homens poderão fazer com homens o que quiserem fazer com homens nos banheiros públicos. Mulheres, idem. Contanto que o façam a portas fechadas. Detalhe: o heterossexualismo continuará ofensa.

Perdeu-se, pois, uma emoção do perigo.

Voltemos aos afrodisíacos. Surge agora um novo gênero, um novo tipo. São os "bug chasers", ou caçadores do HIV, gente que quer, e anuncia isso aos brados, ser infectada pelo vírus.

Na última semana de janeiro, a revista Rolling Stone alegou que 25% de todas as novas infecções têm sua origem nos "caçadores".

Seja qual for a percentagem, o fenômeno existe aqui no Reino Unido e pode ser constatado com algumas digitadas na Net. Um grande número de pessoas sondando e pedindo pela infecção por parte dos soropositivos, que no linguajar especializado são chamados carinhosamente de "pozzies". A busca pelo "pozzie", no jargão, é conhecida como "caça".

Um "caçador" explicou a um jornalista da revista Spectator que a caça ao HIV é uma mistura de sentimentos e emoções: medo, controle, individualismo. O "caçador" também prefere não deixar que o tempo cuide de sua busca. Ele quer o maior número de chances possível à sua infecção.

Na mesma revista, um deles revela ter coleção de vídeos com o que também é chamado, pelos caçadores, de "conversão", ou seja, o ato em que se deu a infecção.

No entanto, esta "conversão" não é tão fácil quanto pensam. Sexo não-protegido com um soropositivo não é garantia de HIV. Na Net, lá está: gente quase que desesperada em busca de um parceiro com uma alta contagem de vírus.

Mesmo o perigo não vem fácil nem sem percalços.

 Clique aqui para ouvir esta coluna do Ivan Lessa
 
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