| 21 de fevereiro, 2003 - Publicado às 12h32 GMT |
| Missa do Bonfim relembra ligações com Salvador |
 Missa reúne agudás de várias partes do Benin
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Claudia Silva Jacobs, enviada especial ao Benin
A tradicional missa do Senhor do Bonfim em Salvador, na Bahia, é repetida na capital do Benin, Porto Novo, na costa ocidental da África, onde em todo o final do mês de janeiro é celebrada a missa da Irmandade Brasileira de Nosso Senhor do Bonfim, na catedral de Notre Dame.
As celebrações são cercadas de grandes expectativas, com muita organização prévia e até escolha de figurino especial a ser usado pelos agudás na missa.
Se não fosse o fato de usarem o mesmo tecido na confecção das roupas, um sinal de unidade do grupo, você poderia pensar que estava vendo a gravação de uma novela brasileira de época, ou mais especificamente, alguma cena de "Escrava Isaura".
Isso ocorre porque os agudás ainda tem o Brasil de cerca de 150 anos atrás como referência em suas festas e tradições.
Figurino
As mulheres usam roupas parecidas com as das escravas durante as celebrações agudás.
Os homens, por sua vez, vestem camisa social de manga curta e calça comprida, também do mesmo tecido usado pelas mulheres.
Mas o figurino tem um toque especial e difere das roupas tradicionais usadas no Benin. Até mesmo a estampa do tecido usado pelos agudás é bem mais discreta do que o tipo de estampa comum nessa região da África.
Após a missa da Irmandade, os agudás saem em marcha cantando e dançando até o pátio da igreja, onde os descendentes de brasileiros se cumprimentam e desejam "bona festa" uns aos outros, sempre em meio a muita cantoria.
 Padre realiza missa especial para os agudás | A missa, um exemplo de tradição que os agudás preservam, é um dos pontos altos da ligação entre os agudás e o Brasil, mais especificamente com Salvador.
Este símbolo está retratado em um estandarte verde da Irmandade Brasileira de Nosso Senhor do Bonfim, que traz dizeres escritos em português.
A missa reúne os católicos de vários pontos do Benin.
A grande diferença da festa do Bonfim de Salvador e a de Porto Novo é que, na África, as tradições católicas não se misturam com a do candomblé, como acontece, por exemplo, na lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim após a missa.
No Benin, os católicos entram na igreja em procissão, participam de uma cerimônia de quase duas horas, e depois, saem em fila carregando o estandarte da Irmandade. Mas nada de manifestações afro-brasileiras.
As reportagens de rádio da série "Agudás: O Brasil no Benin" começam a ser transmitidas pelas emissoras coligadas à BBC Brasil nesta quarta-feira, dia 26 de fevereiro.
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