| 20 de dezembro, 2002 - Publicado às 10h49 GMT |
| Letra e música |

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A parceria Paul McCartney e John Lennon, em mais uma gentil cortesia da notória viúva profissional, Yoko Ono, esteve à beira de ir parar nos tribunais para resolver a ordem dos fatores, ou seja, decidir juridicamente quem, nas composições assinadas pela dupla, vem primeiro, McCartney ou Lennon.
Paul, hoje Cavaleiro do Reino, ou sir, para amigos e familiares, resolveu de repente alterar o crédito da dupla.
Cansou-se de ver o nome do falecido John antes do seu (imagine só, conforme diria o próprio) em um sem número de composições, então foi e, em seu mais recente CD, tacou; McCartney-Lennon.
Yoko Ono, que não dorme de touca, conforme se dizia no auge dos Beatles, armou-se de sua arte concepcional predileta: o processo judicial.
Todo mundo sabe, e os dois nunca negaram, quando em vida do conjunto, que muitas das composições eram de autoria individual, embora rachassem os créditos, que era onde estava o ouro.
Ninguém, até agora, sugeriu que colocassem o nome do produtor musical George Martin, o quinto Beatle, na parceria, uma vez que era ele quem dava um jeito, por assim dizer, nas músicas.
Resta o mistério em torno de quem compôs, no fonograma “She loves you, yeah, yeah, yeah”.
Terá Paul contribuído com o “ela ama você”? Ou foi da criatividade de John? E o primeiro “yeah”? É de quem? E o segundo “yeah”? O terceiro?
Na idade de ouro da música pop em inglês – ou seja, nos dois lados do Atlântico, Estados Unidos e Reino Unido –, a convenção era simples e os direitos autorais igualmente repartidos.
Em primeiro lugar, vinha o nome do músico. Em segundo lugar, o nome do letrista.
Daí não haver o problema em saber quem fez o quê nas composições de Rodgers e Hart, Rodgers e Hammerstein, George e Ira Gershwin, Jerome Kern e Otto Harbach, Harold Arlen e Ted Koehler.
Irving Berlin e Cole Porter simplificaram ainda mais: faziam letra e música, não rachavam o dinheirinho com ninguém.
Prossegue, pois, o mistério de quem contribuiu com o “yeah, yeah, yeah”, para a composição seminal que nós, com nossa famosa musicalidade, sabe-se lá de que maneira, entendemos como “iê, iê, iê”.
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