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06 de dezembro, 2002 - Publicado às 12h41 GMT
Calor humano britânico



 Clique aqui para ouvir esta coluna do Ivan Lessa

Atenção, é tudo mentira!

Os britânicos são as pessoas mais francas e abertas, mais sociáveis do mundo.

É preciso parar imediatamente com essa mania nossa – calorosa gente de debaixo da linha do Equador – de chegar aqui e, três dias depois, começar a se queixar, para 7 mil dos 15 mil amigos brasileiros residentes em Londres, que “os ingleses são frios e distantes”.

Em primeiro lugar, são “britânicos” e não “ingleses”.

Em segundo lugar, não são, não. Estudos que beiram o científico aí estão para comprovar minhas palavras.

É preciso deixar bem claro que, depois de 25 anos seguidos em Londres, eu não tenho amigos britânicos.

Mas isso não é culpa deles, que vivem me atazanando, fazendo fila na minha porta e tentando me tentar com doces e bons-bocados.

Em português do Brasil, e de Portugal também, eu já era de difícil aproximação, quanto mais ser “amigo”, relação e situação psicológica e emocional que sempre me foi difícil entender.

Ao longo dos anos, que são muitos, infelizmente, eu diria que tive, no máximo, estourando (e a maior parte estourou mesmo) uns seis amigos. Mas isso é problema meu. Vamos aos britânicos.

Uma entidade subsidiada pelo governo britânico, a BSA (British Social Attitudes), dedicada ao estudo do comportamento social dos cidadãos destas ilhas, e que a cada ano publica um relatório sobre essas coisas, acaba de revelar – ou provar por A mais B – que cada pessoa aqui tem uma média de 14 amigos próximos, aqueles que nós chamamos “do peito” (25% dos entrevistados, aliás, gabaram-se de ter mais de 18 amigões ou amigonas).

Peritos dizem que esse intenso calor humano emitido pelos britânicos revela certas mudanças nos hábitos do povo das ilhas: vida social mais intensa, celular e computadores, um número maior de bares e casas noturnas e por aí afora.

O estudo confirma uma pré-concepção: os homens tendem a se darem com mais gente do que as mulheres, que são mais exclusivistas.

Não fica claro é se os britânicos contam, entre esses 14 amigos que têm em média, estrangeiros ou não.

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