| 03 de dezembro, 2002 - Publicado às 12h59 GMT |
| Governo e rebeldes assinam cessar-fogo no Burundi |
 Tropas sul-africanas estão ajudando acordo de paz
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O governo do Burundi e o maior grupo rebelde do país, as Forças para a Defesa da Democracia (FDD), assinaram um acordo de cessar-fogo nesta terça-feira.
O acordo terá efeito a partir do dia 30 de dezembro e permitirá que os rebeldes façam parte do governo e do novo Exército do país.
Mais de 300 mil pessoas morreram na guerra civil do país, que já dura nove anos.
No ano passado, um acordo que previa a divisão de poder no país - e teve o apoio de Nelson Mandela - não funcionou.
Novo Exército
As negociações de paz estão sendo feitas na cidade de Arusha, na Tanzânia, e não contam com a participação de outro importante grupo rebelde do país, as Forças de Libertação Nacional (FLN).
Os rebeldes da FLN abandonaram as negociações no mês passado.
Pelo acordo fechado nesta terça-feira, uma das questões mais difíceis das negociações de paz foram resolvidas: a divisão de foças militares.
Em outros acordos, a divisão de poder político entre as duas etnias do país, a hutu e a tutsi, já havia sido acertada.
Mas a questão da formação do Exército, dominado historicamente pelos tutsis, sempre foi um empecilho ao avanço das negociações.
A definição do novo acordo determina que o atual Exército seja dissolvido e que um novo seja formado com uma nova divisão de forças: 50% tutsi e 50% hutu.
Fragilidade
O presidente de Burundi, Pierre Buyoya, disse que o acordo com as FDD foi assinado durante a madrugada.
O próximo passo dos negociadores será pressionar os membros da FLN a participar do cessar-fogo.
A expectativa é que a maioria dos combates possam parar a partir desta terça-feira, mas segundo os negociadores o fim total dos conflitos entre a FDD e as tropas do governo só ocorrerão até dezembro.
Para os observadores internacionais, a paz ainda é frágil e dependerá do avanço das conversas sobre a implementação do acordo. |
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