| 02 de dezembro, 2002 - Publicado às 18h48 GMT |
| Rocinha e Alagados são mostras de desrespeito a direitos |
 Duas favelas, realidades parecidas
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Os moradores das favelas do Brasil sofrem violações diárias de seus direitos humanos.
Episódios de violência, falta de infra-estrutura sanitária e dificuldade no acesso à saúde e educação são tão comuns que, às vezes, as pessoas se acostumam e nem percebem mais os problemas.
Na última década, o número de favelas não parou de crescer. Um estudo do IBGE, divulgado no ano 2000, indica que surgiram no Rio de Janeiro 119 novas favelas nos nove anos anterior.
No ranking nacional, a cidade do Rio só perde para São Paulo no número de favelas registrado pelo censo do IBGE. Eram 513 favelas cariocas, contra 612 paulistanas.
Ranking
Nesse ranking, Salvador aparece em nono lugar, com 99 favelas.
Mas a situação na capital baiana é considerada especialmente crítica: segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), entre as 12 maiores cidades Brasileiras, Salvador foi a campeã em desigualdade social e concentração de renda na década de 90.
Outro levantamento, da Fundação Getúlio Vargas, indica que 80,2% dos trabalhadores da cidade ganham de um a oito salários mínimos. Em todo o Estado, 54,3% da população estaria abaico da linha de pobreza, recebendo até R$ 80 por mês.
Na série de reportagens Direitos Humanos nas Favelas o repórter Rafael Gomez visitou durante duas semanas, no final de novembro e início de dezembro, três favelas no Brasil: a Rocinha, no Rio de Janeiro, e as de Alagados e Novos Alagados, em Salvador.
Conversando com moradores, líderes comunitários, autoridades e representantes de ONGs que atuam nessas comunidades, o jornalista tratou de investigar quais são as violações mais comuns e o grau de conhecimento que os moradores dessas comunidades têm sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos (clique aqui para ler a declaração).
Foram analisados os direitos à vida e à segurança (artigos 3 e 5 da Declaração), educação (artigo 26), justiça (artigos 7, 8, 9 e 10), à informação e à livre expressão (artigo 19) e à saúde (artigo 25).
Outro ponto abordado foi o preconceito em relação ao morador das favelas e dentro da própria comunidade e de que forma isso atrapalha a implementação dos Direitos Humanos nessas comunidades.
Projeto mundial
A série foi patrocinada pelo Ministério do Exetrior da Grã-Bretanha através da Fundação Serviço Mundial da BBC (World Service Trust) e faz parte de um projeto colocado em prática em dezenas de países, chamado I Have a Right to... (clique aqui para acessar a página do projeto em inglês)
Já foram realizadas reportagens semelhantes na Rússia, na China, nos Estados Unidos, na Índia, no Afeganistão e em outros países, abordando questões diferentes relacionadas aos direitos humanos.
A série também foi produzida para o rádio, dividida em dez programas de cinco minutos, que estão sendo veiculados pelas emissoras coligadas à rede BBC Brasil em todo o Brasil até o dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. (Clique aqui para ouvir os programas)
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