| 28 de novembro, 2002 - Publicado às 21h35 GMT |
| Imigrantes brasileiros trocam os EUA pela Grã-Bretanha |
 Juliana procura emprego em jornal de brasileiros
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Silvia Salek
O aumento no controle da entrada de imigrantes nos Estados Unidos, após os atentados de 11 de setembro do ano passado, fez com que um número cada vez maior de brasileiros siga uma nova rota de imigração em direção à Grã-Bretanha.
Em apenas um ano, o número de brasileiros registrados no consulado em Londres mais que dobrou, passando de 4 mil para cerca de 9 mil.
O próprio consulado do Brasil na capital britânica admite que esses são dados oficiais que estão muito abaixo da realidade e servem apenas de termômetro para medir a variação do tamanho da comunidade brasileira no país.
Segundo a advogada Vitória Nabas, cerca de 90% dos brasileiros que chegaram à capital britânica ao longo do último ano vieram depois de não ter conseguido visto para os Estados Unidos.
Nova opção
Vitória Nabas diz que Londres tornou-se a primeira opção para muitos desses brasileiros que decidiram viver no exterior.
"A maioria queria mesmo era estar nos Estados Unidos, mas após os atentados ficou muito mais difícil entrar lá. A Inglaterra acabou sendo a segunda opção desses imigrantes", disse a consultora da Casa Latino-Americana, organização que presta assistência a imigrantes da América Latina.
A advogada mineira Juliana Matos, 29 anos, chegou à Grã-Bretanha há apenas uma semana.
Ela conta que, apesar de ter entrado no país com visto de turista, seu objetivo é estudar inglês e trabalhar.
 Darlan deixou de lado idéia de ir para os EUA | "Vou tentar mudar o status do meu visto para isso. Eu queria ir para os Estados Unidos, mas sei que não iria conseguir, então, decidi vir para a Inglaterra, onde ainda é fácil passar pela imigração", contou a mineira. Ela espera contar com a ajuda de amigos de Belo Horizonte que estão em Londres para conseguir um emprego.
O mineiro Darlan Peron, 22 anos, também decidiu não arriscar ser barrado pela cada vez mais rígida imigração americana nem se aventurar em uma travessia ilegal pela fronteira com o México.
Essa travessia, na companhia dos chamados "coiotes", custa cerca de US$ 10 mil e acaba sendo a única alternativa para muitos brasileiros visados pela imigração americana, por terem o perfil típico do imigrante ilegal: jovem e sem emprego.
"Eu não iria me sujeitar a isso. Quero aprender inglês para ter mais oportunidades no Brasil, e a melhor opção era vir para cá, onde posso trabalhar meio expediente e estudar", disse Peron, que, entregando jornais de casa em casa, recebe 150 libras (cerca de R$ 840) por semana.
Meio expediente
Peron conseguiu entrar na Grã-Bretanha com um visto de estudante.
Mas a Grã-Bretanha não exige que o turista ou estudante brasileiro tirem o visto no Brasil, como fazem os Estados Unidos. O visto é concedido, ou não, no próprio aeroporto.
Na maioria dos casos, basta que o brasileiro comprove que pagou um curso de inglês para conseguir entrar no país como estudante, o que lhe permite trabalhar meio expediente.
Nem Juliana Matos nem Peron se registraram no consulado brasileiro quando chegaram.
Essa falta de registro faz com que os números oficiais, de 9 mil brasileiros, estejam muito aquém da verdadeiro total de brasileiros na capital britânica.
Estimativas de empresas que lidam com brasileiros – jornais em português, empresas de transferência de dinheiro e agências de emprego – indicam que a população brasileira em Londres esteja em torno de 50 mil.
Leia também: Novos imigrantes escolhem Londres em busca de trabalho. |
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