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28 de novembro, 2002 - Publicado às 21h34 GMT
Novos imigrantes escolhem Londres em busca de trabalho
Carlos já conseguiu comprar uma casa no Brasil
Carlos já conseguiu comprar uma casa no Brasil

Silvia Salek

O desvio da rota da imigração brasileira dos Estados Unidos está trazendo um novo tipo de imigrante para a Grã-Bretanha: jovens de classe média baixa, que decidem ir para o exterior em busca de trabalho para juntar dinheiro e voltar para o Brasil.

Segundo Vitória Nabas, conselheira na Casa Latinoamericana, uma organização em Londres que presta assistência a imigrantes da América Latina, a maior parte da comunidade brasileira na Grã-Bretanha era formada por estudantes que vinham para o país aprender inglês ou cursar universidade.

"Hoje, esse perfil mudou. Aquele imigrante que tradicionalmente ia para cidades como Boston e Miami, atrás do sonho americano, está vindo para cá", disse a advogada que também trabalhou três anos nos Estados Unidos.

O paranaense Carlos Alcarde, 24 anos, é um desses imigrantes recentes. Ele chegou de Londrina há apenas um ano e, com o dinheiro que juntou nesse período, já comprou uma casa no Brasil.

Sonho britânico

Carlos Alcarde, que vive em Leeds, contou que envia mensalmente 850 libras (R$ 4,75 mil) para o Brasil.

"Meu objetivo aqui é unicamente esse: juntar dinheiro. Quero ter capital para abrir um negócio no Brasil. Já sofri muito aqui por causa da diferença cultural. Hoje, me adaptei, mas meu sonho é voltar", disse o rapaz, que trabalhava como auxiliar de escritório no Paraná.

Jeferson, de 27 anos, estava desempregado no Brasil e chegou há cinco meses.

Ele entrou no país com visto de turista, mas tem trabalhado ilegalmente desde então.

"Antes de perder o emprego, trabalhava como ajudante de caminhão em Goiânia e recebia um salário mínimo por mês. Só estudei até a 7ª série. Nunca ganharia lá tanto quanto ganho aqui", disse Jeferson que, pintando paredes, recebe cerca de 500 libras por mês (R$ 2,8 mil).

"Já tenho até uma namorada inglesa. De repente, me caso e fico aqui de vez. Tentei tirar o visto para os Estados Unidos. Não consegui e acabei vindo para cá", acrescentou o brasileiro.

Ponto de encontro

Em Londres, um dos principais pontos de encontro desses novos imigrantes é o Brazilian Touch Café, um restaurante localizado na Oxford Street, principal rua comercial da cidade.

Brasileiros se reúnem na Oxford Street

O restaurante vende feijoada, pão de queijo, brigadeiro, guaraná Antarctica e tem um quadro de avisos com ofertas de moradia e emprego.

Segundo a proprietária, Fernanda Montesso, a mudança no perfil do imigrante brasileiro é clara.

"Antes, os brasileiros vinham aqui e pediam dicas sobre cursos diversos. Hoje, só se fala em trabalho. E eles não vêm apenas do Rio e de São Paulo como antes. A maioria está vindo de Goiás, Paraná e Minas Gerais", disse Fernanda.

Lucros

Esse crescimento da comunidade vem aumentando os lucros de empresas e até incentivando o surgimento de novos empreendimentos de olho no mercado brasileiro.

Nos últimos oito meses, o número de clientes da LCC Trans-Sending, especializada na remessa de dinheiro para o Brasil, aumentou cerca de 35%.

Nos Estados Unidos, a tendência é oposta. Operando no mesmo setor, a Rio Doce, com sede em Framingham, cidade vizinha a Boston e conhecida pela grande concentração de brasileiros, viu seu número de clientes cair 20% no último ano.

"Não temos do que reclamar. A procura por nossos serviços tem aumentado bastante", disse o diretor da LCC Trans-Sending, Márcio Silva.

Entre os empreendimentos que estão surgindo em Londres, está uma nova publicação destinada aos brasileiros: a Real, uma revista semanal que vai dividir leitores com a revista Leros, o jornal Brazilian News e a revista Jungle Drums, também lançada recentemente.

Palavra de Deus

O aumento da comunidade brasileira também está multiplicando o número de igrejas brasileiras na capital britânica.

Há dois anos, a Assembléia de Deus, por exemplo, abriu sua primeira igreja em Londres, no bairro de Notting Hill. Hoje, a Assembléia já tem seis igrejas.

A igreja, que começou com três pessoas, já tem 550 fiéis cadastrados.

"Acho que vamos ver aqui na Grã-Bretanha o mesmo fenômeno que aconteceu nos Estados Unidos nas últimas duas décadas. Um imigrante vem e depois traz o irmão, a família, os amigos e, no fim das contas, teremos uma grande comunidade aqui", disse o pastor Rondinelli Fidelis.

"Temos planos de inaugurar novas igrejas em bairros com alta concentração de brasileiros. Queremos estar preparados para levar a palavra de Deus para toda essa gente", disse o pastor.

Leia também: Imigrantes brasileiros trocam EUA por Grã-Bretanha após 11 de Setembro
 
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