| 21 de novembro, 2002 - Publicado às 13h25 GMT |
| Do abismo ao Fundo |

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Pela segunda vez em trinta anos, Nova York está à beira do abismo financeiro. O déficit do ano que vem vai passar de US$ 1 bilhão, e o de 2004 pode passar de 6.
É uma crise tão séria quanto a da década de 70.
O prefeito é um homem mais de negócios do que de política, e as soluções dele, à base de ferro e fogo atingem todas as classes.
Ninguém vai escapar de mais impostos e menos serviços.
Bloomberg quer trazer de volta um imposto que foi cancelado pelo governador há três anos e era cobrado daqueles que trabalhavam, mas não moravam na cidade.
Bloomberg quer o imposto de volta, multiplicado por seis.
Nova York já paga 160% a mais em impostos do que qualquer outra cidade americana.
Este republicano quer aumentar em 25% o imposto predial e nem assim tapa os buracos.
Dobrou as multas, vai aumentar o metrô, o ônibus e os pedágios, vai cortar serviços, reduzir os seguros médicos, eliminar a semana de 35 horas para funcionários públicos e acabar com alguns privilégios dos sindicatos.
Nenhum prefeito teve peito de confrontar, ameaçar e irritar tanta gente em tão pouco tempo.
A dívida da cidade é maior do que a de todos os Estados americanos, inclusive a da Califórnia, que tem 36 milhões de habitantes.
Só o serviço desta dívida custa US$ 2,3 bilhões por ano.
11 de setembro agravou a situação, mas a cidade já estava a caminho da recessão e do abismo. O número dos sem-teto é maior desde a depressão, e 36 mil pessoas estão dormindo em abrigos da cidade.
Em outras crises, Wall Street ajudou Nova York a sair do buraco, mas várias corretoras e bancos já tiraram seus times da cidade.
Para evitar o abismo, Bloomberg, se pudesse, iria ao Fundo.
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