| 14 de novembro, 2002 - Publicado às 11h03 GMT |
| Os gatos de Scliar e o tigre canadense |

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O escritor brasileiro Moacyr Scliar está no noticiário internacional pela controvérsia gerada pelo escritor Yann Martel.
No mês passado, o canadense ganhou o Man Booker Prize, o mais importante prêmio literário da Inglaterra, que vem acompanhado de US$ 75 mil.
O livro dele, Life of Pi (A Vida de Pi), conta a história de um jovem indiano que sobrevive a um naufrágio numa balsa com um tigre.
Em 1981, Moacyr Scliar publicou Max e os Gatos, a história de um jovem judeu que sobrevive a um naufrágio numa balsa com uma pantera.
O próprio Martel admite que a inspiração veio do livro de Scliar, mas diz que não copiou mais nada além da idéia central.
O próprio Scliar me disse que leu o livro do canadense, gostou e, além da idéia, não encontrou seu Max nem seus gatos na balsa de Martel.
Moacyr Scliar, que também é médico, é um homem fino. Martel tinha se referido a ele como um escritor menor, mas nem uma vez durante nossa conversa Scliar foi amargo ou negativo sobre o canadense.
Scliar é um dos mais conhecidos escritores brasilerios com dezesseis livros publicados, profundas raízes judaicas e gaúchas. Ele foi herói e inspiração de uma geração de judeus, filhos e netos de imigrantes criados nos guetos do Rio e São Paulo.
Suas histórias são de fácil identificação. Revelam como se inserir no mundo maior e, ao mesmo tempo, pertencer a uma tribo.
Moacyr se refere a seus livros como novelas e não como romances e o primeiro deles teve como cenário o bairro do Bom Fim, em Porto Alegre.
Os personagens eram as crianças judias do bairro.
Mocyr Scliar está chegando em Nova York nesta sexta-feira para receber o prêmio do Centro Nacional do Livro Idiche, que incluiu um dos livros dele, O Centauro no Jardim, entre os cem melhores romances judaicos do século 20.
Esta balsa do Scliar ainda vai longe. Parabéns e boa viagem.
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