| 27 de outubro, 2002 - Publicado às 21h40 GMT |
| Pesquisa mostra desilusão de argentinos com candidatos |
 Maior parte dos eleitores votaria em branco ou nulo
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Márcia Carmo, de Buenos Aires
No dia em que os brasileiros elegem novo presidente, boa parte dos argentinos responde que não votaria em "nenhum" candidato para ocupar a cadeira presidencial, caso as eleições fossem realizadas neste domingo na Argentina.
Pesquisa do Instituto Equis, divulgada neste domingo pelo jornal Página 12, revela que 18,5% dos entrevistados anulariam o voto, deixariam de votar ou votariam em branco.
O ex-presidente Adolfo Rodríguez Saá receberia 14,2% dos votos, seguido do governador de Santa Cruz, na Patagônia, Nestor Kirchner (13,1%) e da deputada Elisa Carrió (11,5%).
Pelo mesmo levantamento, o político com melhor imagem é o que não quer saber de eleição presidencial, o governador de Santa Fé, o ex-piloto de Fórmula 1 Carlos Reutemann, amigo de Emerson Fittipaldi.
Aprovação
"Não adianta insistir. Minha decisão não tem volta", reitera Reutemann. Ele tem 37,6% de aprovação, disparado na frente em relação a todos os políticos que estão na corrida eleitoral.
Outra pesquisa, a do instituto Ipsos-Mora y Araujo, publicada neste domingo pelo jornal La Nación, mostra Rodríguez Saá com 18,3%.
O ex-presidente Carlos Menem ficou com 15,8%, e Elisa Carrió com 11,1%.
A intenção de voto na parlamentar, que liderou campanhas como a do "que se vayan todos" (fora políticos) cai a cada novo levantamento.
Há quatro meses, em junho, por exemplo, numa pesquisa realizada pelo mesmo instituto, Elisa Carrió somava 19,3% das intenções de voto.
Apesar disso, ela mantém o terceiro lugar na corrida eleitoral.
No levantamento do Ipsos-Mora, 53% preferem que as eleições sejam realizadas no dia 30 de março.
Porém, as idas e vindas do presidente Eduardo Duhalde, autor da idéia de antecipar o fim do mandato do dia 10 de dezembro do ano que vem para março, e as disputas judiciais levam muitos setores a desconfiarem se o pleito realmente acontecerá naquela data.
"A única coisa que posso garantir é que o presidente entregará o cargo no dia 25 de maio próximo", afirmou o ministro do Interior, Jorge Matzkin, articulador político do governo. Para Matzkin, os argentinos já superaram a fase do voto de protesto e agora enfrentam uma nova etapa em relação à política: a apatia.
"Devo reconhecer que os argentinos não estão interessados na sucessão presidencial e, pelo jeito, não morrem de amores por nenhum dos candidatos."
Intenções de voto
Hoje, independentemente da pesquisa de opinião, Rodríguez Saá e Menem, que são do mesmo e dividido Partido Justicialista (PJ, peronista), mas defendem propostas diferentes, Nestor Kirchner, que também é peronista, e Elisa Carrió aparecem com pouca diferença na lista das intenções de votos.
De acordo com o instituto Equis, se a tendência atual for mantida, o número de votos em branco e nulos, além da abstenção, poderão ser quatro vezes maior do que o registrado na última eleição presidencial, em 1999.
Porém, analistas como Analía Del Franco, do instituto Analogías, e Enrique Zuleta Puceiro, do Ibope argentino, acreditam que este resultado poderá ser alterado antes das eleições presidenciais. "O eleitor argentino faz questão de votar para presidente", diz Analía.
Nas duas pesquisas, divulgadas neste domingo, não foram divulgados as margens de erro para tais resultados.
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