| 24 de agosto, 2002 - Publicado às 00h45 GMT |
| Milhares protestam contra o fechamento do Batasuna |
 Os advogados do Batasuna têm até segunda-feira para se defenderem
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Milhares de simpatizantes do partido basco Batasuna foram às ruas de Bilbao nesta sexta-feira numa demonstração de apoio ao grupo.
O juiz Baltasar Garzon acusa o partido de apoiar e financiar o grupo separatista ETA e pediu a proibição, por cinco anos, do Batasuna.
A medida tomada pelo juiz Garzon coincide com a votação pelo parlamento espanhol, na segunda-feira, sobre a possibilidade de pedir à Corte Suprema do país a proibição total do partido.
Batasuna nega que esteja ligado ao ETA e diz que vai lutar contra o pedido de proibição.
"Ligações terroristas"
Os simpatizantes do partido se concentraram do lado de fora da prefeitura da cidade de Bilbao. Eles carregavam faixas e gritavam slogans de apoio à independência do País Basco.
O porta-voz do Batasuna, Joseba Permach, disse que era errado pensar que o juiz Garzon ou qualquer outra pessoa pudesse acabar com o partido.
"Esta proibição vai encontrar a resposta adequada em cada rua do País Basco", acrescentou.
Se a suspensão for mesmo levada adiante, os escritórios do partido serão fechados. Demonstrações e campanhas políticas também serão proibidas.
Mas os representantes legais do partido serão autorizados a continuar trabalhando.
O juiz Baltasar Garzon, que liderou a tentativa de levar o ex-presidente chileno Augusto Pinochet a julgamento, acusa o Batasuna de fazer parte do "complexo terrorista" do ETA.
Nas eleições bascas do ano passado, o Batasuna ganhou 10% dos votos. Mesmo assim, a iniciativa de banir o partido tem o apoio da maioria dos partidos espanhóis, inclusive o do socialista.
Garzon já conseguiu na justiça a proibição de funcionamento de vários grupos separatistas ligados ao ETA.
Ele deu um prazo até segunda-feira para que os advogados do partido apresentem argumentos contrários à proibição.
Batasuna avisou que certas "medidas" poderão ser tomadas caso as autoridades se coloquem do lado do Estado. Muitos líderes bascos temem que a violência aumente.
Desde que a campanha pela independência basca começou em 1968, o ETA é considerado responsável por mais de 800 mortes.
A tentativa do governo
O plano do governo de banir o Batasuna através da votação no parlamento se baseia numa lei aprovada há dois meses contrária aos partidos que apoiam o terrorismo.
O governo espanhol apresentou, na quarta-feira, um relatório resumindo o caso contra o Batasuna.
Seis argumentos contra o partido têm origem no fato de ele não ter condenado publicamente um ataque do ETA, com carro-bomba, no balneário de Santa Pola no dia 4 de agosto, que matou uma menina de seis anos e um homem de 57.
Outros pontos são baseados em comentários feitos por líderes do partido, expressando simpatia pela causa separatista do ETA.
O relatório dá detalhes de como as pessoas que participavam de uma manifestação do partido no dia 11 de agosto gritavam slogans de apoio ao ETA.
O documento também argumenta que vários membros do Batasuna também fazem parte do ETA.
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