| 04 de julho, 2002 - Publicado às 09h25 GMT |
| O terror do calor |

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Estamos a quarenta graus úmidos e mal educados e com eles a apreensão do terror.
A violência do Rio é imbatível, mas em centígrados e umidade Nova York não fica devendo nada.
Ontem, quando saí cinco minutos para fazer uma gravação na rua o cheque do pagamento que estava no bolso da camisa ficou ensopado de suor, quase apagado.
Antes do 11 de setembro, o dia da independência americana sempre trazia um certo grau de apreensão por causa dos atentados às torres em 93 e em Oklahoma em 95.
Mas eram lembranças que mereciam pequeno destaque na imprensa.
Agora temos um desfile de autoridades nos pedindo para ficar alertas e patriotas.
As ameaças dos terroristas são vagas, dizem os políticos, mas não podemos ficar em casa amedrontados. Sair de casa é um dever cívico.
Este ano, se não fosse pelo calor, talvez valesse a pena sair para ver o show da polícia: estão prometendo milhares de policiais nas ruas, nos barcos, nos helicópteros com detetores de material radioativo, cães, a nova metralhadora MP5 e rifles de alta potência.
Este cenário reforça as teorias apocalipticas cada vez mais populares e ajuda a vender os livros da série Left Behind.
São dez romances sobre o fim do mundo que estão ameaçando derrubar todos recordes de vendas
de livros.
Em 2000 tivemos o apocalipse do fim do milênio. Agora temos o apocalipse de 2002 que conseguiu até capa da revista Time semana passada.
Neste ritmo todos anos serão apocalípticos e mais cedo ou mais tarde alguém acerta a previsão. Até lá , quem for patriota sai para comer um cachorro quente no parque e ver os fogos.
Quem for covarde como eu fica perto do ar condicionado secando o cheque do pagamento.
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