| 23 de maio, 2002 - Publicado às 14h53 GMT |
| A Última do Papagaio |

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Segunda de manhã e, como são mais de 9 horas da manhã, eu consigo vir sentado no metrô para a BBC lendo meu jornalzinho. Os horrores de sempre na primeira página. Na segunda página, em geral mais sossegada, meu olho caiu no Brasil, como um pára-quedista saudoso.
Todo brasileiro já notou, no estrangeiro, como a gente tende a ver o nome de nosso país a pelo menos um metro de distância. Não é banzo, não é saudade. É o olho. O olho da alma, se quiserem, mas simplesmente o olho.
Muitos são frequentemente ludibriados quando Brazzaville surge no noticiário. Mas isso não é sempre, nós desse ganhamos. Atenção, não vale nas páginas dedicadas aos esportes. Aí dá Brazil -- com Z -- que não acaba mais.
Mas voltando a hoje (segunda-feira) de manhã. Lá estava, em três colunas na segunda página do jornal, quinta linha do segundo parágrafo: Brazil, sempre com Z. E em torno, antes de eu digerir em ordem a notícia, "Portuguese", "Mato Grosso" e "Pagagaio careco". Só estranhei o último, confesso.
Um resumo da história: ornitologistas estão atônitos! Descobriram, no Mato Grosso, uma nova espécie de papagaio. O tal do "Pagagio careco", que, o texto logo deixa claro em meticulosa tradução não é mais do que um papagaio careca.
Ave raríssima só avistada e fotografada uma única vez em toda a história da humanidade e da papagaiedade.
Das 350 espécies de papagaios conhecidas em todo o mundo, este papagaio provocou mais espanto entre estudiosos e leigos interessados, feito eu, do que a recuperação total, física e mental, de Ronaldinho. Ou Ronaldão. Ou Ronaldo.
Enfim, vocês sabem de quem eu estou falando. É do Ronaldo Careco. Ou Ronaldo Careca, para sermos mais precisos.
O jornal que publicou a nota do "Pagagio careco" é o único que dedica um pequeno espaço para se corrigir no dia seguinte. Indignado, já encaminhei meu e-mail de protesto.
"Pagagio é a mãe" -- como diria o próprio.
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