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03 de maio, 2002 - Publicado às 13h23 GMT
Fumar e desfumar



Estou completando seis meses sem fumar. Fumei ininterruptamente durante 50 anos. Tenho um problema. Quando me virem sem o cigarrinho na mão e perguntarem por ele, o que é que eu digo? "Eu parei de fumar", "eu deixei de fumar" ou "eu não fumo mais"?

"Eu parei de fumar" parece algo assim feito um trem (a vapor, claro) que estancou por um pouco e que a qualquer momento voltará a disparar pelos trilhos a fora desta vida.

"Eu deixei de fumar" soa a desdém, como se eu apenas tivesse comprado uma camisa nova. Minha predileção é por "eu parei de fumar". É curto e seco, não dramatiza, não dá muita satisfação.

Talvez a parte mais chata do processo de parar de fumar seja ter que explicar às pessoas como se deu a coisa. Se foi usado remédio, goma de mascar especial, aqueles esparadrapos horrendos espalhados pelo corpo.

Dificílimo ainda não soar convencido, não descrever em detalhes o abandono do nefando vício, não fazer teatro.

Minha vontade, para ser franco, era fazer teatro e da pior qualidade. Falar de minhas noites de insônia, minha boca seca, meus suores frios.

Tenho vontade também de mentir, quando me perguntam o que me levou a abandonar o fumo. Vontade de dizer que foi um livro, um sonho ou a habitual tosse matinal que me levou ao tresloucado gesto, pois só assim o devemos chamar.

Fiz algumas promessas a mim mesmo neste abandono do tabagismo. Jamais censurar quem fuma. Jamais tossir, abanar o ar com as mãos e fingir-me engasgado com o fumar dos outros.

Jamais dar receita. Jamais entrar em detalhes, o que é fácil, pois detalhes não há: parou-se de fumar e pronto, economizou-se dinheiro e, com um pouco de sorte, ganhou-se mais um tempinho de vida com o brinde extra de qualidade.

Eu não sinto a menor falta de cigarro. Agora, minhas mãos são outra história. Quase um velho filme de horror com o Peter Lorre.

Minhas mãos, independente de mim, ocasionalmente batem no bolso direito da calça procurando o maço de cigarro e o isqueiro. À noite, vendo televisão, dão uma passada ao lado de minha poltrona para conferir se o cinzeiro está ou não pronto para ação.

Um dia, com sorte, isso pára.

 Clique aqui para ouvir esta coluna do Ivan Lessa

 
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