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07 de abril, 2002 - Publicado às 22h06 GMT
Para confederação de trabalhadores, crise continua
 Protesto de sul-coreanos por causa da crise
Protesto de sul-coreanos por causa da crise

Rogério Simões, enviado especial de Seul

A avaliação do governo e da maioria dos empresários sul-coreanos de que a crise de 97 chegou ao fim não é compartilhada por grande parte dos trabalhadores.

Liderados pela Confederação Coreana de Sindicatos de Trabalhadores (KCTU), milhares de operários sul-coreanos têm participado de greves nos últimos anos, a maioria contra demissões em massa.

Na mais recente, em março e abril de 2002, os trabalhadores do setor energético pararam por mais de um mês, em protesto contra o programa de privatização do setor.

"A crise não acabou, a crise tornou-se permanente", disse à BBC Brasil o secretário internacional da KCTU, Yoon Youngmo.

Desemprego

O ano de 1998 foi o auge na crise do emprego na Coréia do Sul. Em abril daquele ano, a taxa chegou a 6,7%, em comparação a 2,8% registrados um ano antes. Em agosto, a taxa chegou a 7,2%, a maior em 32 anos.

A situação melhorou a partir de 1999, e em fevereiro de 2002 o governo comemorou o anúncio da menor taxa de desemprego em quatro anos: 3,2%, registrados em janeiro.

Mas a KCTU, central sindical considerada a mais radical do país, diz que o mais grave hoje não é o desemprego, mas as condições de trabalho a que os sul-coreanos foram submetidos com as reformas realizadas a partir de 1998.

Desemprego na Coréia do Sul
Abril de 1997
2,8%

Agosto de 1998
7,6%

Janeiro de 2002
3,2%

"O que foi criado, depois da crise financeira de 1997, é que nós temos um mercado de trabalho marcado por empregos provisórios, as condições de trabalho e de saúde do trabalhador estão sendo prejudicadas", afirmou Yoon.

Para obter a ajuda financeira do FMI, durante o pior momento da crise, a Coréia do Sul teve de concordar com mudanças radicais no seu modelo econômico.

Isso implicou o fim de uma política paternalista em relação às grandes empresas, que costumavam ser favorecidas por contínuos empréstimos para financiar seus investimentos.

Com isso, empresas faliram, e milhares de trabalhadores perderam o emprego. O caso de maior destaque foi o da Daewoo, conhecida internacionalmente por sua produção de veículos.

A empresa, que antes era considerada "grande demais para falir", quebrou, e os trabalhadores da empresa iniciaram uma série de movimentos para proteger os seus direitos.


Em dificuldades: crise empobreceu muitas famílias
Yoon Youngmo não diz ser contra as reformas iniciadas na Coréia do Sul, mas questiona os objetivos impostos pelo FMI e pelo Banco Mundial no programa de ajuda ao país.

"A questão é o que você quer alcançar", afirmou. "Se você quer ter uma sociedade que trata os trabalhadores como pessoas, que tenham emprego estável, ou se você considera que o que acontece com os empregos é inevitável por causa das políticas que têm que ser adotadas."

Os trabalhadores têm recentemente se engajado em dois esforços centrais: a denúncia da privatização de setores como energia e ferrovias, prevista pelo governo, e a redução das horas de trabalho semanais, de 44 para 40.

"O governo não deu aos sul-coreanos uma visão de qual seria a situação caso esses setores sejam privatizados", diz Yoon Youngmo. Várias greves foram feitas em 2001 e 2002 em nome dessas duas bandeiras.
 
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Links externos:
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Agência de notícias oficial da Coréia do Norte (em inglês)
Ministério da Unificiação da Coréia do Sul (em inglês e coreano)
Estudo da ideologia Juche (em inglês)
Notícias sobre as Coréias (em inglês)
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