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05 de abril, 2002 - Publicado às 11h23 GMT
1994: Brasil é tetracampeão
Seleção comemora título inédito nos EUA
Seleção comemora título inédito nos EUA

Ricardo Acampora

Foram 24 anos com o grito de campeão engasgado na garganta, mas a torcida brasileira pôde finalmente comemorar a vitória na Copa dos Estados Unidos.

Depois de popularizar o futebol por praticamente todo o mundo, faltava à Fifa desbravar o concorrido mercado americano. Na preferência do torcedor americano, o futebol perde feio para o beisebol, o futebol americano, o basquetebol e o hóquei sobre o gelo.

Mas, ainda assim, motivada pela perspectiva de grande lucro, a Federação de Futebol dos Estados Unidos encaminhou à Fifa sua candidatura para sediar a Copa do Mundo de 94. O país acabou sendo escolhido, vencendo candidatos como Marrocos e Brasil.

E os americanos provaram sua competência empresarial. Com um marketing eficiente, fizeram com que a Copa tivesse a maior média de público até então. Cada jogo reuniu público de 70 mil pessoas. Cerca de 3 bilhões de telespectadores no mundo inteiro acompanharam o torneio.

Brasil defensivo

No dia 17 de junho, Alemanha e Bolívia abriram a décima-quinta Copa do Mundo, em Chicago. A Alemanha venceu por 1 a 0 numa partida fraca.

O Brasil ficou no grupo A, com a Suécia, a Rússia e Camarões. A seleção brasileira era comandada por Carlos Alberto Parreira e Mário Jorge Lobo Zagalo. Parreira era o técnico e Zagalo o supervisor.

Zagalo voltava à seleção depois do fracasso da Copa de 74, quando tinha sido acusado de retranqueiro. Ao embarcar com a delegação para os EUA, Zagalo se defendeu dizendo que preferia ser campeão jogando feio do que perder a Copa jogando bonito.

O Brasil de 94 era um time defensivo. O meio-de-campo, onde no passado brilharam jogadores de talento como Zizinho, Zito, Didi, Gerson, Rivelino, Falcão e Zico, era ocupado então pelos valentes e limitados Dunga e Mário Silva.

Estréia

O Brasil estreou contra a Rússia em São Francisco. Aos 27 minutos, Romário abriu o placar com oportunismo. No segundo tempo, Raí fez o último gol do jogo, cobrando pênalti sofrido por Romário.

No segundo jogo, o Brasil se soltou mais e ganhou com facilidade de Camarões por 3 a 0, com gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto.

No último jogo da primeira fase, o Brasil enfrentou a Suécia em Detroit. Aos 23 minutos do primeiro tempo Andresson fez o primeiro gol sueco. A Suécia se fechou dificultando a penetração do ataque brasileiro.

Mas no comecinho do segundo tempo, Romário marcou. O empate de 1 a 1 garantiu ao Brasil o primeiro lugar do grupo, mas a seleção saiu de campo vaiada, com a torcida mostrando claramente seu descontentamento com o esquema excessivamente defensivo.

O doping de Maradona

Ao fim da primeira fase, a Argentina tinha despontado como a grande favorita para o título. Uma goleada de 4 a 0 sobre a Grécia mostrou um Maradona com ânimo renovado.

No segundo jogo, o Brasil conquistou nova vitória, desta vez 2 a 1 sobre a Nigéria. Mas para surpresa geral, o resultado do exame antidoping de Maradona tinha dado positivo.

Ele tinha tomado medicamentos que continham substâncias proibidas pela Fifa. Maradona foi suspenso da Copa e o excelente time argentino não conseguiu reencontrar seu bom futebol e acabou eliminado pela Romênia nas oitavas-de-final.

Nesta fase, o Brasil enfrentou os donos da casa. O jogo estava marcado para 4 de julho, o dia da independência dos Estados Unidos, e todo o marketing que promoveu a partida exaltava um espírito nacionalista. Os americanos se prepararam para uma batalha.

Expulsão

Depois de um jogo duríssimo, onde o lateral Leonardo foi expulso por ter atingido deslealmente um jogador americano com uma fortíssima cotovelada no rosto, o Brasil venceu por 1 a 0, com um gol de Bebeto, marcado a 15 minutos do final.

Nas quartas-de-final, contra a Holanda, a seleção brasileira fez sua melhor partida no mundial, vencendo por 3 a 2, com gols de Romário, Bebeto e do lateral Branco, em cobrança de falta, aos 36 minutos, desempatando o jogo para o Brasil.

Na semifinal, o time brasileiro foi a Los Angeles para enfrentar a mesma Suécia com quem tinha empatado na primeira fase.

Os suecos voltaram a jogar trancados na defesa, o que exigiu muita cautela e paciência por parte do Brasil para vencer por 1 a 0, com gol de Romário, marcado a menos de 15 minutos do final.

Final

Depois de 24 anos, a seleção brasileira voltaria a disputar a final de uma Copa do Mundo. A Itália seria a adversária do Brasil.

Os dois times repetiriam, assim, a final da Copa de 70. Desta vez, o apito final revelaria ao mundo um tetracampeão, pois cada país já tinha conquistado três Copas do Mundo (o Brasil em 58, 62 e 70 e a Itália em 34, 38 e 82).

Os esquemas defensivos de Brasil e Itália tirou parte do brilho do espetáculo e, a exemplo da final do Mundial anterior, o jogo não teve a emoção de uma verdadeira final de Copa do Mundo.

Quase não houve chance de gol e ao final de 90 minutos regulamentares e de 30 minutos de prorrogação, Brasil e Itália não tinham saído do 0 a 0, levando a decisão da Copa para os pênaltis.

Pela primeira vez uma Copa do Mundo seria decidida em cobrança de pênaltis. O capitão Baresi, da Itália, foi o primeiro a bater e desperdiçou a cobrança chutando para fora.

Pelo Brasil, o zagueiro Márcio Santos chutou forte, mas em cima do goleiro Pagliuca, que não teve dificuldade em espalmar.

Daí para a frente, Albertini e Evani converteram para a Itália. Romário e Branco também fizeram seus gols para o Brasil. O goleiro brasileiro Tafarel defendeu o pênalti cobrado por Massaro e o capitão Dunga colocou o Brasil em vantagem.

Faltando uma cobrança para cada lado, o placar mostrava Brasil 3 a 2. O ídolo da Itália, Roberto Baggio, foi encarregado da cobrança e bateu por cima do travessão dando o título ao Brasil.

Críticas

Apesar da vitória e do título inédito, a campanha da seleção deixou a desejar. Os críticos não se conformavam em ver o time do Brasil com características defensivas.

A Copa de 94 marcaria o início do fim da carreira de um dos maiores jogadores de todos os tempos, o argentino Diego Armando Maradona. Suspenso pela Fifa e lutando contra a dependência de cocaína, Maradona nunca recuperou a forma física e técnica com que levou a Argentina à conquista do Mundial de 86.

Outro registro lamentável da Copa dos Estados Unidos foi o assassinato do zagueiro colombiano Escobar, morto a tiros num bar de Bogotá, por ter sido o autor do gol contra que desclassificou a seleção da Colômbia, na partida contra os Estados Unidos.

A artilharia do torneio foi dividida pelo búlgaro Hirsto Stoitchkov e pelo russo Oleg Salenko, com seis gols cada. A Bulgária ficou ainda com a quarta colocação, depois de perder o último jogo para a Suécia por 4 a 0, que assim assegurou o terceiro lugar na Copa.

Seleção brasileira

Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha, Mauro Silva, Bebeto, Dunga, Zinho, Raí, Romário, Márcio Santos, Leonardo, Ronaldão, Branco, Zetti, Aldair, Cafu, Mazinho, Paulo Sérgio, Muller, Ronaldo, Viola, Gilmar.

Resultados:

Grupo 1:

Estados Unidos 1 X 1 Suíça
Romênia 3 X 1 Colômbia
Suíça 4 X 1 Romênia
Estados Unidos 2 X 1 Colômbia
Romênia 1 X 0 Estados Unidos
Colômbia 2 X 0 Suíça

Grupo 2:

Camarões 2 X 2 Suécia
Brasil 2 X 0 Rússia
Suécia 3 X 1 Rússia
Brasil 3 X 0 Camarões
Brasil 1 X 1 Suécia
Rússia 6 X 1 Camarões

Grupo 3:

Alemanha 1 X 0 Bolívia
Espanha 2 X 2 Coréia do Sul
Alemanha 1 X 1 Espanha
Coréia do Sul 0 X 0 Bolívia
Espanha 3 X 1 Bolívia
Alemanha 3 X 2 Coréia do Sul

Grupo 4:

Argentina 4 X 0 Grécia
Nigéria 3 X 0 Bulgária
Argentina 2 X 1 Nigéria
Bulgária 4 X 0 Grécia
Nigéria 2 X 0 Grécia
Bulgária 2 X 0 Argentina

Grupo 5:

Irlanda 1 X 0 Itália
Noruega 1 X 0 México
Itália 1 X 0 Noruega
México 2 X 1 Irlanda
Irlanda 0 X 0 Noruega
Itália 1 X 1 México

Grupo 6:

Bélgica 1 X 0 Marrocos
Holanda 2 X 1 Arábia Saudita
Arábia Saudita 2 X 1 Marrocos
Bélgica 1 X 0 Holanda
Holanda 2 X 1 Marrocos
Arábia Saudita 1 X 0 Bélgica

Oitavas-de-final

Alemanha 3 X 2 Bélgica
Espanha 3 X 0 Suíça
Suécia 3 X 1 Arábia Saudita
Romênia 3 X 2 Argentina
Holanda 2 X 0 Irlanda
Brasil 1 X 0 Estados Unidos
Itália 2 X 1 Nigéria
Bulgária 1 X 1 México (Bulgária venceu nos pênaltis: 3 X 1)

Quartas-de-final:

Itália 2 X 1 Espanha
Brasil 3 X 2 Holanda
Bulgária 2 X 1 Alemanha
Suécia 2 X 2 Romênia (Suécia venceu nos pênaltis: 5 X 4)

Semifinais:
Brasil 1 X 0 Suécia
Itália 2 X 1 Bulgária

Disputa do terceiro lugar:

Suécia 4 X 0 Bulgária

Final:

Brasil 0 X 0 Itália (Brasil venceu nos pênaltis: 3 X 2)

Clique aqui para ver a galeria de fotos da Copa de 1994

Clique aqui para ouvir a história desta Copa (em Real Áudio), com narração de Ricardo Acampora
 
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