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03 de abril, 2002 - Publicado às 13h11 GMT
1978: Argentina conquista sua primeira Copa
Argentinos comemoram vitória sobre a Holanda
Argentinos comemoram vitória sobre a Holanda

Ricardo Acampora

O Brasil chegou à Copa da Argentina com inovações promovidas pelo técnico da seleção, o capitão reformado do Exército, Claudio Coutinho, supervisor da delegação vitoriosa em 70. Sob seu comando, as novas jogadas da seleção ganharam nomes como "ponto-futuro" e "overlaping". A torcida via, porém, as mudanças com desconfiança.

Renovado estava também o elenco da equipe. Dos remanescentes de Copas anteriores, sobraram apenas os goleiros Leão e Valdir Peres, o lateral Nelinho e os meias Rivelino e Dirceu.

Uma nova geração de craques despontava na seleção de Coutinho. Brilhavam os zagueiros Edinho, Amaral e Oscar, os meio-campistas Toninho Cerezo e Batista, os atacantes Jorge Mendonça, Roberto Dinamite e a dupla infernal Zico-Reinaldo, a esperança de gols da torcida brasileira.

A seleção passou com altos e baixos pelas eliminatórias contra Paraguai, Colômbia, Peru e Bolívia. O time marcou 17 gols em 6 jogos, dos quais empatou dois e venceu quatro.

O Brasil estreou na Copa no dia 3 de junho, em Mar del Plata, contra a Suécia, que completava o grupo 3, junto com Áustria e Espanha.

A grama do campo, recentemente plantada, começou a se desprender, deixando em seu lugar um monte de buracos, que dificultavam o toque de bola da seleção brasileira.

Apesar do gramado ruim, o atacante Reinaldo abriu o placar para o Brasil, mas os suecos não demoraram a empatar.

No segundo tempo, a seleção brasileira não conseguiu acertar, facilitando a marcação rígida do pouco inspirado time sueco.

No final do jogo, Zico completou, de cabeça para o gol sueco, um escanteio cobrado pelo lateral Nelinho. Mas o juiz galês Clive Thomas não validou o gol, alegando que tinha apitado o fim da partida, com a bola no ar, antes de ter sido tocada pela cabeça de Zico.

Para o segundo jogo contra a Espanha, o técnico Claudio Coutinho voltava a insistir com outra de suas novidades que igualmente desagradava a torcida: a escalação do zagueiro Edinho, do Fluminense, na lateral esquerda. Era evidente a falta de adaptação de Edinho à nova posição.

A seleção não passou de um empate sem gols, em que foi salva por um erro do juiz e bandeirinha, que não validaram um gol espanhol, com a bola tendo nitidamente ultrassado a linha de gol, depois de bater no travessão brasileiro.

Depois de dois empates, o Brasil teria que decidir a classificação com a Áustria, e só a vitória interessava.

Segundo informações que circularam na Argentina, o então presidente da CBF, almirante Heleno Nunes, teria imposto ao capitão Claudio Coutinho a substituição de Zico e Reinaldo por Roberto Dinamite e Jorge Mendonça. Edinho abandonou o sacrifício da posição improvisada e foi substituído por Rodrigues Neto.

As mudanças surtiram efeito e o atacante do Vasco da Gama Roberto fez o gol que garantiu a classificação brasileira.

Quartas-de-final


Nas quartas-de-final, o Brasil ficou no grupo de Polônia, Peru e a dona da casa, a Argentina.

O bom time argentino venceu os poloneses por dois a zero. Também o Brasil surpreendia ao passar com facilidade pelo Peru, com uma vitória de três a zero e um melhor futebol de conjunto.

O próximo jogo seria contra a Argentina no pequeno estádio do Rosário Central. A imprensa e a torcida locais armaram um verdadeiro clima de guerra para intimidar os brasileiros.

Preocupado, Coutinho tirou o criativo Toninho Cerezo, colocando em seu lugar o truculento Chicão, do São Paulo.

A ameaça de guerra não se concretizou e o placar final sem gols espelhou a mediocridade demonstrada em campo pelas duas equipes.

Sem vencedor, a classificação para a semifinal ficou para ser decidida na última rodada.

Na tarde do dia 21 de junho, o Brasil passeou em Mendoza, vencendo sem dificuldade a Polônia por três a um, apresentando um futebol solto e criativo.

Agora, o Brasil teria que esperar o resultado da partida entre Argentina e Peru, que seria disputada à noite, em Rosário.

Sabendo que precisariam ganhar por uma diferença de quatro gols, os argentinos partiram para o ataque e os jogadores peruanos não esboçaram reação. Sem resistência, os gols argentinos foram se sucedendo.

No final, dois gols de Mario Kempes, outros dois de Luque, um de Houseman e outro de Tarantini definiram o placar de seis a zero, que garantia a classificação e eliminava o Brasil.

Os brasileiros acusaram os peruanos de terem entregado o jogo. A CBF entrou com recurso pedindo anulação da partida, alegando que as duas partidas deveriam ter sido disputadas no mesmo horário. A Fifa acatou o recurso, mas respondeu que os brasileiros conheciam o regulamento antes do início da Copa.

O Brasil acabou vencendo o time italiano por dois a um e ficou com o terceiro lugar. Indignado, o técnico Claudio Coutinho elegeu o Brasil, o "campeão moral" de 78, afinal a seleção brasileira terminou a Copa como a única equipe invicta.

Final


A Argentina seguia em frente para fazer a final contra a Holanda, que, apesar de ter chegado a sua segunda final consecutiva, já não apresentava o mesmo poder ofensivo do carrossel de 74.

Sem Johan Cruyff, que se negou a ir à Argentina em protesto contra a ditadura militar que governava o país, a Holanda acabou vencida pela raça e determinação dos argentinos.

Depois de um empate de um a um no tempo regulamentar, a Argentina fez dois gols na prorrogação, aniquilando qualquer possibilidade de reação dos holandeses. A Argentina conquistava a sua primeira Copa do Mundo entrando para o seleto clube dos campeões mundiais.

Mas a história poderia ter sido bem diferente. No último minuto do tempo normal, o ponta-esquerda holandês Resenbrink carimbou a trave do goleiro Fillol, emudecendo as mais de 70 mil pessoas que lotavam o estádio Monumental de Nuñes.

Ao time holandês restava o consolo de uma grande campanha e o segundo vice-campeonato consecutivo.

A fabulosa geração de Cruyff, Kroll, Rep, Neeskens, Jongblod e Resenbrink seria mais uma a passar para a história sem conquistar o título mundial.

Seleção brasileira:


Leão, Carlos, Valdir Peres, Toninho, Nelinho, Oscar, Abel, Polozzi, Amaral, Edinho, Rodrigues Neto, Toninho Cerezo, Chicão, Rivelino, Dirceu, Batista, Gil, Jorge Mendonça, Zico, Roberto Dinamite, Reinaldo e Zé Sergio.

Resultados:

Grupo 1:

Argentina 2 X 1 Hungria
Itália 2 X 1 França
Argentina 2 X 1 França
Itália 3 X 1 Hungria
Itália 1 X 0 Argentina
França 3 X 1 Hungria

Grupo 2:

Alemanha Ocidental 0 X 0 Polônia
Tunísia 3 X 1 México
Alemanha Ocidental 6 X 0 México
Polônia 1 X 0 Tunísia
Alemanha Ocidental 0 X 0 Tunísia
Polônia 3 X 1 México

Grupo 3:

Áustria 2 X 1 Espanha
Suécia 1 X 1 Brasil
Áustria 1 X 0 Suécia
Brasil 0 X 0 Espanha
Espanha 1 X 0 Suécia
Brasil 1 X 0 Áustria

Grupo 4:

Peru 3 X 1 Escócia
Holanda 3 X 0 Irã
Escócia 1 X 1 Irã
Holanda 0 X 0 Peru
Peru 4 X 1 Irã
Escócia 3 X 2 Holanda

Fase final:

Grupo A:

Alemanha Ocidental 0 X 0 Itália
Holanda 5 X 1 Áustria
Itália 1 X 0 Áustria
Alemanha Ocidental 2 X 2 Holanda
Holanda 2 X 1 Itália
Áustria 3 X 2 Alemanha Ocidental

Grupo B:

Brasil 3 X 0 Peru
Argentina 2 X 0 Polônia
Polônia 1 X 0 Peru
Argentina 0 X 0 Brasil
Brasil 3 X 1 Polônia
Argentina 6 X 0 Peru

Disputa pelo terceiro lugar:

Brasil 2 X 1 Itália

Final:

Argentina 3 X 1 Holanda

Clique aqui para ver a galeria de fotos da Copa de 1978

Clique aqui para ouvir a história desta Copa (em Real Audio), com narração de Ricardo Acampora
 
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