| 19 de março, 2002 - Publicado às 12h09 GMT |
| EUA tentam afastar embaixador brasileiro da Opaq |
 Brasil é contra a moção proposta pelos Estados Unidos (foto: Rose Brasil-ABr)
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Cassuça Benevides, enviada especial a Santiago do Chile
Uma moção dos Estados Unidos para afastar o embaixador brasileiro José Maurício Bustani da Secretaria-Executiva da Organizacão para a Proscrição de Armas Químicas (Opaq) deve ser votada pelos 141 países-membros nesta terça-feira, na sede da organização, em Haia.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, esclareceu nesta segunda-feira a posição brasileira com relação à pressão que os Estados Unidos vêm exercendo para afastar Bustani do cargo.
Segundo Lafer "o embaixador Bustani foi eleito e reeleito por unanimidade pelos Estados-membros da organização e a relação do Brasil é a relação de um país-membro com o diretor-geral da Opaq".
A moção americana apresentada contra Bustani contém uma série de dúvidas quanto à sua capacidade de exercer o cargo.
Oposição brasileira
Segundo o ministro brasileiro, que está no Chile integrando a comitiva do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Brasil não compartilha destas dúvidas, tem demonstrado isso e vai votar contra a moção.
O secretário de Estado americano, Colin Powell, telefonou para Lafer na última sexta-feira para transmitir as dúvidas americanas com relação à gestão de Bustami.
Mas as especulações de que o governo americano estaria interessado em continuar com a campanha de bombardeios ao Iraque e por isso estaria insatisfeito com a atuação de Bustami - que está negociando o retorno de inspeções ao Iraque - não foi confirmada pelo ministro.
"Não tenho informação ou avaliação neste sentido", respondeu secamente.
O ministro brasileiro ressaltou, no entanto, que o tema não faz parte da relação bilateral com os Estados Unidos.
E disse que a posição brasileira é apoiada por países como o Japão, a Polônia e a Coréia do Sul, que integram o grupo de 141 países que fazem parte da Opaq.
Durante a gestão de Bustani, o número de armas químicas no mundo foi reduzido em um terço e o número de Estados-membros da Opaq aumentou.
Ao lado da Rússia, os Estados Unidos são os maiores detentores mundiais de armas químicas.
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