| 17 de março, 2002 - Publicado às 18h33 GMT |
| Atentado em igreja no Paquistão deixa cinco mortos |
 Segundo a polícia, três granadas explodiram
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Pelo menos cinco pessoas foram mortas em um ataque a granadas contra uma igreja protestante na capital do Paquistão, Islamabad, durante uma missa com a presença de cerca de 60 fiéis.
A Igreja Protestante Internacional fica nas proximidades da embaixada da ONU (Organização das Nações Unidas), numa região repleta de escritórios diplomáticos.
Entre as vítimas fatais, estão a mulher de um diplomata americano e sua filha, de 17 anos. Uma afegã e um paquistanês também morreram. A quinta pessoa morta ainda não havia sido identificada.
O atentado deixou ainda cerca de 45 feridos, segundo a polícia de Islamabad. Muitos deles estão em estado crítico.
"Sangue, sangue"
A alemã Elisabeth Mundhenk, de 54 anos, disse que se escondeu embaixo de um piano quando ocorreu a primeira explosão, mas mesmo assim foi ferida por estilhaços.
"Havia sangue, sangue, sangue", afirmou Elisabeth. "Foi horrível. Havia um cheiro terrível, e nós mal conseguíamos respirar."
O americano Mark Robinson, que foi ferido levemente na perna, disse que a cena era de "um total pandemônio"
Pessoas de oito diferentes nacionalidades estão entre os feridos, que incluiriam o embaixador do Sri Lanka no Paquistão, sua mulher e um filho, além de vários americanos.
Segundo a polícia, pelo menos dois homens entraram na igreja e lançaram seis granadas, mas apenas três delas explodiram.
O correspondente da BBC no Paquistão Zaffar Abbas informou que os autores do ataque fecharam a porta da igreja e fugiram a pé.
A polícia disse que ainda não é possível concluir se os diplomatas ou cristãos locais eram os alvos do atentado, cuja autoria ainda não foi assumida por nenhum grupo.
Reações
O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, classificou o ataque de "um ato de sabotagem contra os interesses nacionais do Paquistão", informou um porta-voz da Presidência.
O incidente também despertou forte reação do presidente americano, George W. Bush. "Nós trabalharemos mais próximos do governo do Paquistão para assegurar que os responsáveis por esse ataque sejam levados à Justiça", disse.
Ações contra cristãos no Paquistão, país com uma grande predominância de população muçulmana, são relativamente raras. Mas em outubro de 2001 um ataque a tiros na província de Punjab deixou 18 mortos.
Na época, as autoridades responsabilizaram grupos contrários ao apoio do presidente Musharraf à chamada "guerra ao terrorismo" lançada pelos Estados Unidos.
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