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01 de abril, 2002 - Publicado às 00h30 GMT
Argentinos acreditam que ainda terão as ilhas
O monumento aos mortos argentinos, em Buenos Aires
O monumento aos mortos argentinos, em Buenos Aires

Passados 20 anos, a lembrança da Guerra das Malvinas ainda é forte para os argentinos.

Pessoas de diferentes grupos sociais se emocionam ao falar sobre o tema. Apesar de a opinião geral ser de que a guerra foi um erro, a maioria acredita que a Argentina deve continuar a lutar pela soberania das ilhas pela via diplomática.

A capital do país, Buenos Aires, está lembrando o aniversário do conflito com uma série de eventos. Parte das celebrações ocorre na Praça San Martin, onde está o monumento aos 649 argentinos que morreram nas Malvinas.

Curiosamente, o monumento está exatamente em frente à Torre dos Ingleses - um presente que o governo britânico deu à Argentina quase 70 anos antes da batalha pelas Malvinas. A seguir, alguns depoimentos de argentinos sobre a guerra.

Gustavo de Simone, 42 anos

"Tenho uma mistura de sentimentos em relação à guerra. E talvez o mais forte seja o de impotência por não ter participado dela, lutando em defesa do meu país. Para mim, o pior de tudo é lembrar daqueles garotos que morreram lutando contra um batalhão de profissionais. "

Ricardo Bello, 62 anos

"Aquela guerra foi uma loucura. Vinte anos depois, continuo achando o mesmo, que foi um erro, um disparate dos militares."


Alejandro: "Foi uma guerra inútil"
Alejandro Porta, 28 anos
"Depois de todos estes anos não há tanto rancor em relação à Grã-Bretanha. As pessoas têm tantos outros problemas que não dão mais tanta importância ao assunto. O que ficou para mim é que foi uma guerra inútil, sem sentido. Não acredito que o país queira que algo semelhante volte a acontecer. Nesse sentido, é um assunto resolvido. Hoje a população participa mais e não vai deixar que os governos decidam uma guerra."

Tomás Rovira, 10 anos
"Sei que houve uma guerra, que quando os argentinos entraram em um barco, foram afundados (o navio General Belgrano) e que meu pai se livrou (de ser recrutado). Na escola não me ensinaram nada."


Monumento aos mortos fica em frente à Torre dos Ingleses
Patricia Fernandez, 40 anos
"As Malvinas não são argentinas, é isso que ficou para mim 20 anos depois. Foi um momento muito forte para mim quando estourou a guerra, porque eu tinha 21 anos. Lembro-me que parecia um jogo de futebol, porque havia baixas, falava-se de quem ganhava, ou não, de quem fazia um gol, ou não. Não sei onde ficou a soberania."

Ricardo Leuzzi, 38 anos
"A lembrança mais forte que tenho dessa época é o que disse meu avô italiano, que já havia vivido uma guerra: 'Ih, um conflito com os ingleses... os Estados Unidos vão apoiar, é uma guerra perdida'. E pensar que eu poderia ter sido recrutado... Continua me parecendo correto reivindicar a soberania, mas é preciso fazer isso por vias políticas, não com armas. Foi uma loucura, um jogo de um governo de visão curta e obtusa que buscava popularidade. Mas teve uma vantagem: acelerou a volta da democracia."


Placa mostra nomes dos mortos argentinos
Florencia Saforcada, 20 anos
"Foi uma guerra absurda. O governo de então pegou (recrutou) gente de classes sociais baixas, sem recursos, sem estudo. Para mim, tanto faz de quem é esse território, porque não acredito nas fronteiras. Gostaria de visitar as Malvinas como turista."

Claudio Acuña, 62 anos
"A palavra Malvinas, duas décadas depois, é uma lembrança dolorosa de uns direitos de soberania que sempre foram muito mal manejados. A guerra não foi decidida em um plebiscito, não era desejada pelos argentinos; foi um ato muito alienado por parte dos que governavam no momento, um grupo de militares carentes de todo o raciocínio. Foi acima de tudo uma desculpa do fracasso do governo e da situação caótica dos argentinos. É muito triste."

Valeria Stekelman, 29 anos
"Eu tinha oito anos e tenho uma recordação muito clara: as pessoas reunidas na Praça de Mayo manifestando seu apoio ao governo militar. Ainda hoje, 20 anos depois, esse assunto me provoca uma grande tristeza. Os governantes daquele momento se confundiram e o povo argentino demonstrou um patriotismo que era equivocado: defendem-se as pessoas, não os territórios."





 
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