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11 de março, 2002 - Publicado às 13h06 GMT
Técnico do Japão sonha longe
Troussier se recusa a admitir derrota antes da hora
Troussier se recusa a admitir derrota antes da hora

Só o tempo vai dizer se o técnico Phillippe Troussier vai dizer "sayonara" ao Japão com um sorriso ou com um suspiro de angústia.

O treinador prometeu deixar a equipe japonesa depois de sua participação na Copa do Mundo.

E o francês quer estender sua estada até 30 de junho, a data da final.

"Nosso sonho é vencer a Copa do Mundo", insiste ele. "Este é o sonho dos 32 times que participam do mundial", acrescenta.

Choque cultural

"Ninguém diz que nossa chance de vencer é zero", afirma.

Mas nem todas suas metas são tão ambiciosas. "Sucesso para nós é jogar de forma leal e bonita para mostrar a beleza de nosso futebol e do futebol como esporte", diz ele.

"Eu espero conseguir mostrar os valores que consideramos importantes, como criatividade e individualidade."

Troussier fez tudo o que podia para trazer tais valores para o time.

Quando assumiu o comando da seleção, a equipe japonesa havia acabado de perder seus três jogos da Copa de 98, contra a França, Croácia e Jamaica.

Ele admite ter sofrido um certo choque cultural na chegada ao Japão.

África

"Eu tive de me ajustar. Faz parte da experiência cultural", diz ele.

Colaborou para o ajuste sua experiência como técnico na África.

Troussier já havia trabalhado na Nigéria, Burkina Faso e África do Sul, cuja seleção comandou no mundial da França.

"Eu quero que todos meus times façam o mesmo, mas o japoneses são muito organizados", diz ele.

Atrito

"Mesmo no seu tempo livre eles precisam de organização", diz. "Ontem eu dei um dia de folga e todos queriam fazer as mesmas coisas."

"Eles querem tirar as mesmas fotografias e comer no mesmo restaurantes", conta ele.

"Eu tive de mandar fechar o restaurante do hotel e mandá-los sair para fazer coisas diferentes."

Troussier já entrou em atrito tanto com seus jogadores como com seus empregadores.

Há dois anos ele ameaçou deixar o cargo alegando que a Associação de Futebol do Japão estava "interferindo" em seu trabalho.

Nakata

Também não agradou a equipe ao questionar a masculinidade do time. "Vocês são homens, não meninas", disse aos jogadores durante um treino.

Também não faltaram problemas com a estrela do time, Hidetoshi Nakata, meio-de-campo do Parma e ídolo da torcida japonesa.

Troussier deixou a estrela do time no banco durante um amistoso contra a Itália em novembro passado.

Motivo do castigo: o jogador o havia irritado no ano passado ao ter abandonado o time e voltado à Itália antes do fim da Copa das Confederações, o ensaio geral para a Copa do Mundo.

Troussier insiste: "Nakata não é um deus".

"Ele é importante, mas a questão é: ele consegue se enquadrar e melhorar o desempenho do time?"

E insiste: "Nakata não é prioridade para a equipe. Eu o trato da mesma forma que todos os outros.

Resultados

A situação se complicou para o técnico em 99, quando a equipe jogou sete partidas consecutivas sem uma única vitória.

Mas a disciplina imposta por Trousier deu resultados.

O time venceu a Copa da Ásia no Líbano em 2001 e terminou em segundo lugar, atrás da França, na Copa das Confederações.

Agora Troussier quer mais.

"Passar para a segunda fase não é o suficiente para mim", diz o francês.

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