| 13 de fevereiro, 2002 - Publicado às 12h42 GMT |
| Crianças de Chernobyl são tratadas em Cuba |
 Crianças ucranianas no centro montado em Cuba
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Fernando Ravsberg, de Cuba
Dezesseis anos depois da explosão de um reator da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrância, o acidente continua causando vítimas.
Um centro médico montado por Cuba, perto de Havana, segue recebendo crianças ucranianas que sofrem com doenças provocadas pela radioatividade.
Uma delas é Vladimir, de 4 anos. Seus pais nem se conheciam em 1986, quando ocorreu o acidente. "A vida radioativa do Césio-137 é de 70 anos", diz Ester Martínez, vice-diretora de um hospital pediátrico de Cuba.
Ao longo desses 16 anos, cerca de 17 mil crianças ucranianas receberam em Cuba tratamento gratuito para suas doenças.
Balneário
 Yulia Vogatiriova quer ficar em Havana | As crianças vivem em Tarara, em chalés de frente para o mar. A área é um balneário a 20 km de Havana, que depois da revolução foi transformado em colônia de férias de escolas primárias.
Na clínica, milhares de crianças foram tratadas de tumores, leucemia, melanomas e alopecia. Já foram realizadas centenas de cirurgias, transplantes de medula e tratamentos prolongados.
Quando uma cirurgia é necessária, as crianças são levadas a algum dos muitos hospitais especializados da capital cubana e são atendidas pelos melhores especialistas do país.
Efeito psicológico
 Grigurko já foi operado quatro vezes | "Esta é a minha segunda viagem a Cuba. Já fui operado quatro vezes nas pernas e nos braços", conta Vladimir Grigurko, de 16 anos. Ele acrescenta que, na Ucrânia, não poderia pagar pelas cirurgias.
Yulia Vogatiriova terá de voltar a seu país logo. Mas diz que quer retornar a Cuba. "Meus pais não têm dinheiro para pagar o tratamento, e aqui tenho tudo que preciso", afirma.
"Essas crianças nasceram em um ambiente contaminado e, além disso, enfrentam o efeito psicológico do acidente, algo que os pais transmitem para os filhos", diz a médica Ester Martínez.
Segundo a ela, existe uma espécie de síndrome que deixou os moradores de Chernobyl sob alto grau de estresse.
 Martínez assegura que o centro seguirá aberto | "Todos os problemas sociais, familiares, econômicos e de saúde são colocados na mesma sacola, como conseqüência do desastre nuclear", afirma.
"Cuba vai continuar prestando essa assistência gratuita", assegura a médica. Ela diz que o mais prazeroso desse trabalho é "o sorriso das crianças quando sobem curados no avião que os levará de volta para casa".
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