| 17 de dezembro, 2001 - Publicado às 15h13 GMT |
| Brasil 'decepciona' no combate a exploração de menor |
 Mais de 1 milhão de crianças são vítimas
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A procuradora do Ministério Público de São Paulo, Luíza Nagib Eluf, disse em entrevista ao programa De Olho No Mundo, produzido pela BBC e Rádio Eldorado, que o Brasil "ainda deixa muito a desejar" no combate à exploração sexual de menores e adolescentes.
Segundo a procuradora, "apesar de feita uma CPI no Brasil sobre o assunto, de se ter feito barulho, muito pouco se avançou em termos práticos".
Luíza Nagib Eluf disse que "falta vontade política para combater essa prática muitas vezes é ligada ao crime organizado". Ela considera necessária ainda "uma participação maior da Polícia Federal" para ajudar a combater a exploração sexual de menores no país.
Um relatório da Unicef, divulgado em meados de dezembro, revelou que 100 mil crianças e mulheres são vítimas de exploração sexual no Brasil. No mundo, a estimativa é de 1 milhão de vítimas.
"Mulheres policiais"
Luíza Nagib Eluf disse que "todo mundo sabe que os quadros da Polícia Federal não são suficientes para cobrir o território nacional. São poucos profissionais para cuidar de um país muito extenso, e além disso seria muito importante que mulheres policiais trabalhassem no combate à exploração sexual de crianças".
A procuradora do Ministério Público em São Paulo afirmou ainda que há "uma falha no código penal, que só prevê o tráfico de mulheres em vez de tráfico de pessoas".
Segundo ela, o tráfico também só é considerado como tal se for internacional. "Dentro do próprio território nacional a lei não prevê tráfico. Então tem que haver uma reforma", disse a procuradora.
Luíza Nagib Eluf acredita que "cada vez mais as crianças vem sendo colocadas em posição de vulnerabilidade".
Turismo sexual
Ela disse que ainda hoje o Brasil vende uma imagem de turismo sexual para o exterior.
O turismo sexual seria "feito de uma forma que não é nem camuflada e normalmente explora crianças e adolescentes".
"A miséria e a pobreza contribui de forma decisiva para que essas crianças fiquem em situação de abandono", afirmou a procuradora paulista.
Para ela, a legislação brasileira que se refere a crianças "é boa e está à frente de muitos países em desenvolvimento, mas a situação real, a prática, a aplicação da lei, ainda deixa muito a desejar".
O Brasil enviou uma delegação ao Segundo Congresso Mundial contra a Exploração Comercial Sexual de Crianças, em Yokohama, no Japão.
O evento começou nesta segunda-feira e está programado para durar quatro dias.
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