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30 de novembro, 2001 - Publicado às 08h44 GMT
'Sou o Beatle classe econômica'
George (à dir.) dizia que John e Paul eram as estrelas
George (à dir.) dizia que John e Paul eram as estrelas

Keith Badman, biógrafo dos Beatles

George Harrison era o Beatle relutante.

Enquanto os outros integrantes dos Beatles – John Lennon, Paul McCartney e Ringo Starr – ficavam felizes com a luz dos holofotes, George estava sempre se esquivando da fama.

Ele foi forçado a existir sob a maravilhosa sombra musical de Lennon e McCartney, o que fez com que o próprio George descrevesse sua posição como o "Beatle classe econômica".

Mais tarde, ao comentar o antigo grupo, ele admitiu: "Eu me sentia como um observador dos Beatles, mesmo sendo parte deles. Acho que Paul e John eram as grandes estrelas".

Relações pós-Beatles

Mas, afora uns pequenos desentendimentos, George sempre permaneceu próximo a John depois do fim do grupo. Com Paul, o caminho foi muito mais árduo.

Quando Paul anunciou que um tipo de reconciliação dos Beatles estava em discussão, George respondeu declarando, como havia feito em 1974, que "não queria jamais voltar a tocar numa banda com Paul McCartney".

De Ringo, George sempre permaneceu próximo, freqüentemente sendo visto em público com ele e eventualmente até fazendo shows conjuntos, como o especial de TV Carl Perkins e os shows da organização beneficente britânica Princes Trust em 1985 e 1987.

E – enquanto John, Paul e George tiveram suas dificuldades ao lidar um com o outro depois do fim dos Beatles – Ringo tornou-se a ponte entre os ex-integrantes do grupo.

Para os fãs, a idéia de que dois membros dos Beatles não estão mais com a gente é um pensamento duro de aceitar.

Quando assistimos o primeiro filme do grupo, A Hard Day’s Night, ou qualquer outro de seus filmes, honestamente acreditávamos que os Beatles e seus integrantes eram mais que humanos e durariam pela eternidade, sem envelhecer.

A morte de John

Muito devagar e relutantemente, nos acostumamos com a idéia da trágica morte de John Lennon em 1980. Mas, 21 anos mais tarde, a morte de George Harrison – que sucumbiu ao câncer – faz com que nos déssemos conta de que mesmo os grandes Beatles são suscetíveis a coisas que afligem meros mortais.

Pela primeira vez, parece que George – até que enfim! – se tornou o beatle mais importante, e isso deve ter dado a ele imenso prazer. Ele deve, finalmente, ter se dado conta de que nós realmente amávamos esse quieto, espiritualista e doce integrante da banda.

O legado dos Beatles permanece inigüalado.

Nós ainda vamos falar, ouvir e dissecar o legado do grupo por muitos anos.

Uma nova geração de adoradores dos Beatles vai nascer no ano que vem, quando Love Me Do completar seu 40º aniversário.

Um beatle a menos

Mas o mais triste é que agora, 39 anos depois de sua estréia, apenas Paul e Ringo permanecem com a gente, a nos entreter e conquistar. Simplesmente não me parece certo.

E nós realmente acreditávamos que eles sobreviveriam a todos nós. Felizmente, tenho certeza de que Paul ainda estará com a gente quando ele tiver 64 anos, ainda lançando discos e promovendo o vegetarianismo.

E também tenho certeza que Ringo vai continuar a se apresentar e a lançar discos por muitos anos ainda.

George uma vez descreveu a morte como a remoção de um sobretudo, enquanto o espírito segue vivendo. Graças à sua forte crença em Krishna, George encarou a morte de John de maneira filosófica.

Mas sua morte ainda virá como um choque para seus ex-colegas dos Beatles e para as muitas legiões de fãs ao redor do mundo.

Paul recentemente deixou de lado as promoções de seu disco, Wingspan, para visitar George na Itália. Ringo também disse que vinha mantendo contato constante com George.

Não há nada que possa ser escrito para descrever como eles devem estar se sentindo. Mais do que perder um colega dos Beatles, eles perderam um amigo querido, alguém com quem eles passaram boa parte dos loucos anos 60.

Nesta hora triste, eles vão procurar conforto quando lembrarem da canção escrita por George com a frase: "Life flows on within in and without you", ou "a vida segue em você e sem você".

Em relação aos fãs, não há dúvidas de que veremos cenas de histeria em massa.

A casa de George, em Henley on Thames, assim como o apartamento de John, no edifício Dakota, em Nova York, vai se transformar num santuário para milhares de fãs do mundo todo.

Para muitos desses fãs, os Beatles são sua vida, e a idéia de que há um Beatle a menos no mundo vai ser muito difícil de digerir.


 
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